Os números do balanço operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Mato Grosso no ano passado revelam que a malha sob jurisdição do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT)no estado é palco de uma verdadeira guerra sobre rodas. O balanço da PRF cita que 217 motoristas e passageiros morreram e que 2.028 sofreram algum tipo de ferimento ou fratura no ano passado, nos 3.322 acidentes nas estradas federais mato-grossenses. O número de vítimas fatais no período foi menor do que no ano anterior, que registrou 218 óbitos. O documento da PRF quantifica os mortos nos locais dos acidentes e os que perderam a vida quando eram removidos para hospitais. No entanto, o balanço não inclui os motoristas e passageiros que não resistiram aos traumas e que faleceram na rede hospitalar, após o registro das ocorrências das colisões, capotamentos e atropelamentos dos quais foram vítimas. Isso significa que os dados da PRF ainda que involuntariamente podem estar subnotificados. Aos acidentes registrados pela PRF somam-se centenas de outros com vítimas fatais e feridos em rodovias estaduais e municipais, e nas zonas urbanas. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) ainda não disponibilizou o balanço da violência rodoviária em sua área de competência. Esse fato mascara a trágica estatística das mortes e feridos nas estradas e ruas. Mesmo sem computar os números da Sejusp o registro oficial da PRF sobre mortos e feridos em acidentes preocupa e exige medidas enérgicas por parte das autoridades competentes. Mato Grosso tem acanhada malha rodoviária federal e a frota circulante em suas ruas e estradas é modesta. Mesmo assim, a violência no trânsito rodoviário e urbano tem contornos de guerra. Considerável parcela dos acidentes nas estradas é causada pela associação de bebida com direção. Impedir essa prática não é competência exclusiva da PRF, cuja atuação é limitada às rodovias federais. É preciso mais rigor para impedir que motoristas alcoolizados circulem pelas ruas e estradas. A realização de blitze, inclusive nas imediações de clubes, boates e outros locais onde se consomem bebidas alcoólicas certamente contribuirá para a redução dos acidentes. É preciso abordar o motorista tão logo entre no carro, para impedir que saia pelas ruas e estradas colocando vidas em risco. No ano passado, a PRF deteve 342 motoristas com algum teor alcoólico ao volante; essa ação é positiva, mas seria ainda melhor se tais condutores sequer tivessem circulado. Mato Grosso precisa de paz nas estradas e no trânsito urbano. Para tanto tem que travar dura guerra contra o álcool ao volante e criar infraestrutura de controle de cargas, porque o excesso de peso também é grande responsável pela tragédia sobre rodas que ocorreu em 2009. A violência no trânsito rodoviário e urbano tem contornos de guerra