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Editoriais
Terça-feira, 17 de Novembro de 2015, 19h:43

Guerra ao terror

No momento em que as grandes potências internacionais se reúnem para declarar guerra ao terror, em resposta aos atentados da última sexta-feira em Paris, merece ser levada em conta a advertência do cientista político Rolf Tophoven, do Instituto de Pesquisa do Terrorismo e Política de Segurança da Alemanha, sobre a estratégia do Estado Islâmico para recrutar militantes. Ao provocar nos governos nacionais uma forte reação contra o islamismo e o ódio e a xenofobia das populações locais contra os muçulmanos, os jihadistas despertam o interesse dos jovens e utilizam a propaganda do heroísmo religioso para atrair novos adeptos. Com essa estratégia, o Estado Islâmico vem conseguindo arregimentar até mesmo não muçulmanos, pois muitos jovens europeus, especialmente aqueles que vivem nas periferias, se sentem atraídos a lutar na Síria ou no Iraque, recebendo treinamento e doutrinação para operar futuramente como sabotadores em seus próprios países. Não é por acaso que os primeiros suspeitos identificados na investigação do atentado da última sexta-feira têm origem francesa. A guerra ao terrorismo é uma pauta obrigatória dos países livres, mas não deve se restringir ao confronto bélico. Para evitar que as forças do terror continuem sendo reforçadas por jovens fascinados pela violência e pelo voluntarismo irresponsável, os governos democráticos precisam investir fortemente em campanhas destinadas a prevenir a juventude da armadilha dos jihadistas, oferecendo aos jovens oportunidades e condições dignas de vida. Além disso, mesmo em momentos de justificada indignação como o atual, é fundamental estabelecer a distinção entre os guerrilheiros do ódio do Estado Islâmico e os muçulmanos em geral, que também querem viver pacificamente como a maioria dos habitantes do planeta. Portanto, o enfrentamento do fundamentalismo exige muito de força bruta, sim, mas é necessária uma abordagem que consiga transformar a realidade dos jovens europeus em algo bem mais atraente que a utopia sangrenta vendida pelos jihadistas. A guerra ao terrorismo é uma pauta obrigatória dos países livres, mas não deve se restringir ao confronto bélico

Edição EDIÇÃO 16967




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