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Editoriais
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:27

Guerra ao fumo

Que o ato de fumar é prejudicial à saúde, não há como negar, é uma triste realidade. Com o tempo, não apenas a condenação a esse vício se tornou consensual, no aspecto global, como se criou uma cultura bastante apropriada para os tempos atuais: os males do fumo também são prejudiciais a quem não fuma, mas convive com a “fumaça” alheia. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a fumaça dos derivados do tabaco é a maior responsável pela poluição em locais fechados. Em média, o ar poluído contém três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante, depois de filtrada. Por maiores que sejam os esforços, não tem sido tarefa fácil decidir como conciliar os interesses de fumantes e os daqueles que, por motivos óbvios, têm aversão ao tabaco. Já disseram que uma solução mais prática seria fazer com que o viciado fosse prejudicial apenas a si mesmo, e que fosse isolado do convívio social. O inconveniente é que o vício de fumar, até prova em contrário, é legal, sendo, portanto tolerável preservar o direito do fumante. Medidas oficiais, ao longo do tempo, têm mirado os tabagistas. Uma delas é a obrigatoriedade de locais de uso coletivo - como bares e restaurantes – criarem isolamento. A outra é rigorosa regulamentação que pune propaganda que induza crianças e adolescentes ao consumo do fumo. Em São Paulo, fumar em ambiente fechado, público ou privado, é contra a lei e um ato passível de punição. No momento em que se discutem tais medidas e os enormes malefícios do fumo, parece ser das mais oportunas a proposta que o vereador Toninho de Souza (PDT) apresentou na Câmara Municipal de Cuiabá, na semana passada, estabelecendo que donos de estabelecimentos comerciais - como boates, bares, restaurantes e pizzarias – serão obrigados a criar áreas específicas para fumantes. O projeto prevê a proibição do fumo em ambientes coletivos fechados e, também, em locais de grande aglomeração, mesmo sendo ambiente aberto, como, por exemplo, shows musicais em área livre. Menos severo do que seu similar paulista, o projeto de lei cuiabano determina que todos os donos de estabelecimentos comerciais e realizadores de eventos que concentrem um público considerável reservem um espaço separado para pessoas que fazem o uso do tabaco em qualquer tipo de produto fumígeno. A proposta, como este Diário aferiu, ganhou o apoio de segmentos empresariais e populares. São bem-vindas todas as medidas que tornem ainda mais pesado o custo de manter esse hábito prejudicial à saúde. Trata-se de buscar meios para defender o bem-estar do cidadão, ao mesmo tempo em que se preserva o respeito mútuo. Afinal, a guerra contra o fumo não pode se tornar, por assim dizer, uma cruzada intolerante contra quem é adepto do vício de fumar. “A guerra contra o fumo não pode se tornar uma cruzada intolerante”

Edição EDIÇÃO 16962




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