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Quinta-feira, 15 de Março de 2012, 22h:00

Greve na Sanecap

Desde a segunda-feira desta semana Cuiabá enfrenta desabastecimento de água. Esta situação é causada pela greve deflagrada naquela data pelos servidores de carreira da empresa Sanecap, que opera este setor. O quadro tende a se agravar, pois o movimento não dá sinais de recuo. A greve é motivada pelo descontentamento da categoria com o Plano de Demissão Voluntária (PDV) que lhes foi apresentado, pois seis meses após abril a CAB Ambiental - sucessora da Sanecap - não terá mais que cumprir compromisso de estabilidade com os servidores, que foi firmado com a prefeitura, como parte das negociações para que assumisse por 30 anos os serviços de água e esgoto em Cuiabá. O maior patrimônio do município é o cidadão e cabe a prefeitura dispensar a ele todos os cuidados e, maior ainda deve ser este cuidado quando se trata de servidor que presta serviço em nome da prefeitura, como é o caso do pessoal da Sanecap. A concessão dos serviços de água e esgoto da Sanecap para a CAB Ambiental pode ter sido perfeita no aspecto legal da negociação em si. Ela também pode ter boa fundamentação porque no mundo globalizado a tendência é de encolhimento do Estado em todas as suas esferas e a transferência de quase todas as suas competências para a iniciativa privada, sob o crivo regulador estatal. Mesmo que a negociação tenha sido perfeita ela tem uma vertente injusta e que merece reparação. As tratativas do município com os representantes da CAB Ambiental não levaram em conta a questão social e os aspectos humanos dos servidores da Sanecap, que serão atingidos pelo facão renovador da ótica gerencial da empresa concessionária. Quando das negociações a prefeitura e o sindicato que representa os servidores falharam. A primeira, porque afunilou os entendimentos entre si e a CAB Ambiental. O outro, porque não teve habilidade para propor a criação de uma comissão formada por representantes da prefeitura, vereadores, deputados estaduais e congressistas domiciliados em Cuiabá, e Ministério Público do Trabalho para condicionar a proteção do emprego à concessão. Agora, será muito difícil tentar encontrar os meios necessários para amparar os servidores da Sanecap. Isto é lamentável, porque sua maioria é formada de cidadãos que deram o melhor de sua juventude para assegurar a distribuição de água de qualidade ao cuiabano. O desfecho poderá ganhar contorno de incompatibilidade com a dignidade humana na medida em que criará uma legião de desamparados, porque o peso da idade e até mesmo a pequena demanda para suas especializações praticamente os manterá fora do mercado de trabalho. Hoje falta água para milhares de cuiabanos. Amanhã faltará emprego para centenas deles. A situação no agora é protesto de uma categoria nocauteada e será resolvido o mais rápido possível. A outra, sem necessidade de bola de cristal para imaginá-la será a realidade dos que sabem que sua greve é uma espécie de canto de despedida do emprego que lhes garante o sustento. O maior patrimônio do município é o cidadão e cabe a prefeitura dispensar a ele todos os cuidados

Edição EDIÇÃO 16962




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