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Terça-feira, 29 de Julho de 2008, 21h:05

Freada na economia

Mais uma vez, o país é forçado a recorrer a novo aperto monetário na tentativa de segurar a inflação, o que deve ajudar a conter a elevação de preços, mas implica o risco de frear a expansão da atividade econômica com tal intensidade e por tanto tempo, que pode levar a uma descontinuidade no crescimento. Na justificativa para o aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, elevando-a para 13%, o Banco Central alega que agiu "tempestivamente", tentando, portanto, sustar no que define como tempo certo o ritmo das elevações que ameaçam colocar o índice acima das metas, neste e no próximo ano. A preocupação do Comitê de Política Monetária (Copom) é procedente e a equipe econômica tem o dever de afastar essa ameaça. O lamentável é que, mais uma vez, o país esteja diante de um dilema permanente: crescer ou conter a inflação. Ao contrário de episódios anteriores, desta vez as pressões inflacionárias vêm de fora e o país se preparou melhor para enfrentá-las. A questão é que, inicialmente concentrada nos alimentos, a elevação do custo de vida acabou se espalhando para outras áreas, ameaçando os ganhos acumulados no poder aquisitivo e o próprio ritmo de expansão da atividade econômica. Como o aumento é conseqüência da maior procura por commodities em países nos quais a população passou a se alimentar mais, como Índia, China e o próprio Brasil, além de sofrer a influência do impacto do preço do petróleo no custo do transporte, os responsáveis pela equipe econômica ficam com pouca margem de ação para enfrentar o problema. A médio e longo prazos, porém, o país pode, isso sim, é se aproveitar dessa perspectiva na condição de um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com políticas adequadas de estímulo ao agronegócio. Mas isso, obviamente, não resolve um problema imediato, que é a necessidade de conter a inflação interna com o mínimo de impacto no setor produtivo. De crise em crise, entre as enfrentadas nos últimos anos, o Brasil acabou se convencendo da necessidade de reforçar as bases da estabilidade, com ênfase principalmente no rigor fiscal. Neste momento de incertezas, o governo age acertadamente ao rechaçar qualquer possibilidade de controle de preços, mas se equivoca ao se descuidar dos gastos públicos e ao se preocupar, desde já, com a possibilidade de uma eventual politização do aumento inflacionário na campanha eleitoral, pois essa é uma questão técnica. O aumento exagerado na taxa básica de juros pode até ser necessário, mas o país não tem como depender unicamente dessa alternativa para conter a inflação, pois as conseqüências são de alto risco. Por isso, períodos de maior ameaça como o atual deveriam reforçar a preocupação do país de apressar reformas estruturais ainda pendentes, a começar pela tributária. “Períodos de maior ameaça como o atual deveriam reforçar a preocupação do país de apressar reformas estruturais”

Edição EDIÇÃO 16962




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