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Editoriais
Sábado, 22 de Março de 2008, 14h:10

Fim da farra

Recém-empossado no comando da Secretaria de Cultura, o historiador Paulo Pitaluga, ao que parece, já começa a dizer a que veio no que se refere às ações mais imediatas na Pasta. Ainda que, para tanto, na opinião de analistas, ele protagonize algumas polêmicas. Com efeito, na semana que passou, o secretário colocou em prática um projeto amplamente anunciado por ocasião de sua posse: o cancelamento de mais de 100 projetos culturais, cujo parecer favorável fora dado na gestão do seu antecessor, em 2007, e que atingem o considerável montante de exatos R$ 1.956.787,00. Entre os projetos cancelados, alguns são notáveis não propriamente pelo que poderiam significar em termos culturais, mas pelos valores elevados: de R$ 70 mil a R$ 120 mil. Some-se a isso o fato de muitas prefeituras terem sido contempladas com quantias elevadas de recursos públicos para comemorar emancipação político-administrativa. Nesse meio-tempo, Paulo Pitaluga não economiza críticas sobre a atuação do Conselho Estadual de Cultura, no decorrer do ano passado. Ademais, promoveu mudanças no quadro de funcionários, exonerando servidores que, conforme se apurou, em praticamente nada contribuíam para o incremento do setor cultural, servindo apenas para defender as conveniências de grupos político-partidários. Polêmica ou não, a proposta do secretário Pitaluga de avaliar os critérios de aplicação do polêmico Fundo de Fomento à Cultura é extremamente oportuna e tem caráter moralizador. De fato, já passava da hora de se adotar um critério mais crítico em relação à concessão desse tipo de incentivo com o dinheiro do contribuinte. Não é de agora, aliás, que se questiona a validade de grande parte da produção dita cultural bancada com os recursos públicos, notadamente no que diz respeito ao alcance social desejado. O custo estimado da maioria dos projetos submetidos à apreciação do Conselho de Cultura pode ser considerado excessivo. E o Estado não pode despender recursos a granel, sem que haja critérios para a definição de projetos sem a menor validade. E o curioso é que a grande maioria dos cidadãos mato-grossenses jamais tem acesso a tais “produções”. Pitaluga, como já se observou, é terceiro ocupante do cargo na gestão do governador Blairo Maggi, que entra no segundo ano de seu mandato. Ele assumiu com a missão de preencher um vácuo nesse setor, que é a falta de uma política cultural que justifique plenamente a existência desta Pasta na estrutura administrativa do Executivo Estadual. O fato de cancelar mais de uma centena de projetos, por assim dizer, suspeitos, ou sem algum valor cultural, certamente, não será nenhum impeditivo para que o secretário cumpra a agenda anunciada no dia da sua posse. Principalmente, no que se refere ao diálogo com artistas, produtores culturais, escritores e políticos. De qualquer forma, já se nota que as ações iniciais na Secretaria de Cultura configuram um bom começo. “As primeiras ações na Secretaria de Cultura configuram um começo promissor”

Edição EDIÇÃO 16962




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