O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se encontrar com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em reunião às margens da cúpula do G7 na próxima semana, e os líderes devem tratar do início das negociações de um acordo entre o país asiático e o Mercosul.
À reportagem membros do Itamaraty afirmaram que há disposição das autoridades japonesas nesse sentido.
A Embaixada do Japão em Brasília declarou que pondera as diferentes opiniões em relação a um possível acordo e que vai "continuar considerando como fortalecer a relação com o Mercosul enquanto leva em consideração esses pontos de vista".
Também é esperado que os líderes conversem sobre a venda de petróleo brasileiro para o país asiático, dando continuidade a uma discussão que já foi parte de reunião entre o chanceler Mauro Vieira, ao menos um executivo da Petrobras e o ministro da Economia, Comércio e Indústria de Tóquio, Ryosei Akazawa, em maio.
Será o primeiro encontro de Lula com Takaichi, que foi eleita em outubro do ano passado, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país.
A última vez que o brasileiro se encontrou com uma autoridade japonesa foi em março de 2025, quando fez uma visita de Estado a Tóquio e se reuniu com o então premiê Shigeru Ishiba.
Essa será a décima participação do brasileiro no encontro das sete maiores economias do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido e França).
O brasileiro também deve se encontrar com o presidente da França, Emmanuel Macron, e tenta conseguir uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Com o americano, Lula deve tentar impedir a implementação de novas tarifas contra o Brasil. Uma delas, de 12,5%, pode ser aplicada em decorrência de suposta prática comercial desleal, e a outra, de 25%, por suposto trabalho forçado. Ambas foram anunciadas em maio após investigação do governo americano.
Também pode entrar na pauta entre a decisão de Washington de caracterizar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A decisão de aceitar o convite para participar da cúpula também tem o objetivo de projetar o Brasil como um defensor do multilateralismo, uma bandeira que o governo Lula tem levantado ao lado de outros países que têm sofrido com tarifas americanas, como a China.
Desde o retorno de Lula à Presidência, ele foi convidado para todas as edições entre 2023 e 2026, refletindo a tentativa de reposicionar o Brasil nas principais discussões globais.
Sua participação neste tipo de cúpula também faz parte de uma estratégia de reforço da imagem do país de defesa da soberania nacional, que ganhou força após o tarifaço imposto por Trump em 2025.




