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Sexta-feira, 08 de Junho de 2012, 20h:43

Estagnação preocupante

O crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o anterior, demonstra um indício preocupante de estagnação, embora o resultado tenha sido comparado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a “uma imagem de retrovisor”. É possível, de fato, que um desempenho tão frustrante já esteja em processo de reversão a partir de medidas emergenciais tomadas justamente na tentativa de evitar uma desaceleração ainda maior, como as que resultaram na melhora no câmbio e na redução da taxa básica de juros a níveis históricos. Ainda assim, o resultado serve como alerta de que dificilmente será possível fechar o ano com níveis de crescimento satisfatórios. E mais: a frustração revelada pelo percentual reforça a urgência de uma revisão nas políticas adotadas até agora, além de mais atenção às reformas estruturais. Assim como ocorreu em 2009, o Brasil conseguiu retardar os efeitos da crise econômica global e se livrar deles antes da maioria dos outros países afetados, com medidas pontuais. Repetido agora, porém, o modelo com ênfase em incentivos tributários para segmentos econômicos com potencial para dar uma resposta mais rápida sob o ponto de vista do aumento da produção e do emprego já se mostra menos eficiente. Além de não ter conseguido fazer a atividade econômica se expandir, a política de incentivos setoriais acaba privilegiando apenas alguns segmentos, contribuindo com isso para aprofundar distorções. Por isso, precisa ser revista no mínimo com providências adicionais que possam evitar a continuidade do marasmo econômico. A particularidade de o primeiro trimestre ter sido praticamente perdido devido à freada do investimento e à desaceleração da indústria dá uma ideia do tipo de alternativa a ser buscada daqui para a frente. A solução para o mau desempenho econômico está em mais investimentos públicos, mediante a redução dos gastos com a máquina oficial, e na ênfase às reformas institucionais, como a tributária, a previdenciária e até mesmo a política. Simultaneamente, é preciso atacar todos os demais componentes do chamado custo Brasil, buscando as condições para uma redução no preço da energia e do gás e um salto significativo na área de infraestrutura. É inadmissível que um país com o potencial de crescimento econômico do Brasil continue se sujeitando a uma taxa de investimento equivalente a apenas 18,7% do PIB, patamar para o qual foi reduzida ao final do primeiro trimestre. Nos países com ritmo mais acelerado de crescimento, o percentual situa-se em torno de 25%. Bastaria um maior controle nos gastos públicos e um pouco menos de desperdício nas verbas oficiais destinadas a diferentes áreas para assegurar níveis adequados de investimentos, sem os quais o país corre o risco de ficar no mesmo lugar ou mesmo de voltar para trás sob o ponto de vista da atividade econômica. Bastaria um maior controle nos gastos públicos para assegurar níveis adequados de investimentos

Edição EDIÇÃO 16967




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