A queda de confiança na economia brasileira foi atenuada com a recente decisão da agência de classificação de risco norte-americana Standard & Poors de manter o Brasil no chamado grau de investimento, sinalizando para o mercado a baixa probabilidade de calote na dívida pública. A decisão é resultado da inflexível disposição do ministro Joaquim Levy, da Fazenda, de levar adiante o ajuste fiscal, que aponta para a retração da economia por um período prolongado, mas também para a busca do almejado equilíbrio das contas públicas. Ainda assim, o caminho para a recuperação da credibilidade do país vai depender da confiança do mercado na capacidade do Executivo de promover de fato o ajuste fiscal. E, ao mesmo tempo, na disposição de um Congresso, no qual até mesmo o que seria a base de apoio do governo se encontra dividida, em avalizar a austeridade. Depois de passar sete horas explicando para os parlamentares a importância do ajuste, deixando claro que se trata de um pressuposto para o país continuar sendo visto como bom pagador, o ministro da Fazenda conseguiu um feito importante. O Congresso adiou a decisão sobre a renegociação das dívidas dos Estados com a União. Ainda assim, não há acordo sobre a questão, que se constitui num dos principais pleitos dos Estados e chegou a ser estimulado pela presidente Dilma Rousseff antes das eleições. A crise revelada logo após a abertura das urnas recomenda, agora, que a decisão fique no mínimo para o próximo ano. A dúvida é se um técnico como o ministro da Fazenda será capaz de assegurar um ganho político tão importante. Independentemente das dificuldades no plano político, o país já colhe alguns resultados importantes. A expectativa de uma supersafra de grãos, o empréstimo chinês para a Petrobras, a melhora na balança comercial e o recuo do dólar registrado na última semana são sinais alentadores, num momento em que os níveis de desconfiança na capacidade da presidente da República de enfrentar a crise, de imediato e a longo prazo, são recordes. Acima de divergências de qualquer ordem, o país precisa se mostrar capaz de fazer o que deve ser feito para reconquistar a estabilidade e abrir caminho para o crescimento. Assegurar que esses incipientes sinais promissores se mantenham é um dever de todos. O país precisa se mostrar capaz de fazer o que deve ser feito para reconquistar a estabilidade e abrir caminho para o crescimento