Editoriais
Sexta-feira, 05 de Junho de 2009, 21h:15
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Escândalos a granel
É impressionante, além de extremamente preocupante, o ritmo com que a Câmara Municipal de Cuiabá produz escândalos. Nem bem a nova legislatura começou, em fevereiro passado, e o Legislativo já se transformava em foco de um episódio que só contribuiu para desgastar a sua já desgastada imagem, perante a opinião pública. Poucos dias depois da posse da Mesa Diretora e dos 19 legisladores entre eleitos e reeleitos -, o meio político foi surpreendido por um dos maiores escândalos da história do Poder. O vereador de primeiro mandato Ralf Leite (PRTB), 26, foi flagrado por uma viatura da PM em atos libidinosos com um travesti de 17 anos, em um dos principais pontos de prostituição e de tráfico da região metropolitana. Como se recorda, o vereador é alvo de uma investigação por parte da própria Câmara, estando ameaçado de perder o mandato por quebra do decoro parlamentar. O corporativismo pode levar o parlamentar a ser solenemente absolvido pelos seus pares. Seria a típica varrição do lixo moral para debaixo do tapete. No mês passado, a Mesa Diretora fez divulgar um extenso relatório sobre uma auditoria nas contas do ex-presidente, Lutero Ponce (PMDB). O resultado é de constranger: só no último ano do mandato do parlamentar, em 2008, teria sido desviada dos cofres públicos a considerável quantia de R$ 3 milhões. Para dar maior dimensão ao escândalo, a auditoria apontou que os gastos autorizados, na maioria, não diziam respeito às finalidades do Poder Legislativo. O Caso Lutero também se arrasta com a lentidão natural dos processos que envolvem, por assim dizer, poderosos de plantão. O corporativismo, o compadrio e a troca de favores contribuíram para que uma Comissão Processante que iria investigar e até cassar o mandato do vereador fosse enterrada, juntamente com a esperança da população de que o processo de moralização fosse adiante. Mais recentemente, os vereadores Ralf Leite e Domingos (Sávio) se envolveram em outro escândalo uma festa particular, que, pela forma como é contada, se assemelha muito a uma orgia no Lago de Manso, em Chapada. O episódio ganhou contornos preocupantes, principalmente pelo fato de Sávio ser o relator da Comissão de Ética que investiga Leite. Como haveria de ser natural, o contribuinte revela profunda indignação como esse estado de coisas. É inadmissível que o Legislativo produza tantos fatos negativos em tão curto espaço de tempo, abdicando de sua principal finalidade, que é a de zelar pelos interesses da coletividade. A sociedade, com efeito, tem motivos de sobra para se revoltar, mesmo porque o Legislativo cuiabano insiste em se tornar conhecido apenas pelos muitos escândalos que produz. O contribuinte revela profunda indignação como essa situação