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Editoriais
Quarta-feira, 06 de Junho de 2012, 22h:40

Efeito tímido

Pouco efeito tiveram as medidas de incentivo ao consumo adotadas recentemente pelo governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de algumas linhas de produtos, como carros e a chamada linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras e tanquinhos). Nas dez principais capitais do país, uma pesquisa do IBGE indica que a intenção de consumo das famílias caiu 1,1% em maio em comparação com o mês anterior. O levantamento aponta uma alta considerável em relação ao ano passado (8,5% em comparação com maio de 2011), mas o momento é de preocupação. O desaquecimento crescente da economia chinesa previsto pelos analistas, os efeitos da longa estiagem na Região Sul sobre a safra de soja e de outras commodities e um crescimento ainda pequeno, mas tendencial, dos índices de desemprego nas regiões metropolitanas compõem um quadro que sugere prudência. A incerteza gerada pela possibilidade da retirada da Grécia da zona do euro – defendida por economistas como Nouriel Roubini, um dos poucos a advertir sobre o risco de crise antes de 2008, como o mal menor – foi agravada pelo aumento de risco sobre o sistema financeiro da Espanha. A expressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, de que a crise era só uma “marolinha”, se já era inadequada naquele contexto, hoje se mostra fora de propósito. De outra parte, o sensível aumento do crédito dos últimos anos, projetado para aquecer a economia, parece ter se esgotado como instrumento de política econômica. A maior parte das famílias está com um alto percentual de renda comprometida com pagamento de dívidas para os padrões brasileiros, onde os juros do crédito pessoal são historicamente altos. Nos últimos meses, a política do governo federal de pressionar os bancos pela queda dessas taxas para pessoas físicas produziu efeitos, mas, dada a capacidade de consumir das famílias, esse recurso obviamente tem limites e não é suficiente, por si só, para imunizar o país dos efeitos da crise global. É pouco provável que seja possível combater, no âmbito doméstico, os efeitos deste novo momento de crise global com medidas pontuais, como o governo federal fez nos momentos difíceis de 2008 e 2009 ao estimular o consumo interno. Chegou a hora de se reverem políticas públicas e se direcionarem incentivos para a inovação e para a infraestrutura, capazes, esses sim, de gerar empregos e produzir resultados mais duradouros. No ambiente familiar, porém, é aconselhável que se evite o endividamento crescente apontado por todas as pesquisas e se adote um planejamento de gastos de curto, médio e longo prazos, a fim de se fazer frente às possíveis turbulências que se desenham no horizonte.

Edição EDIÇÃO 16966




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