Recente levantamento feito pelo Ibope com eleitores de todo o país revelou que 68% da população desconhece as políticas educacionais desenvolvidas pelas administrações dos seus municípios. Na antevéspera de um processo eleitoral que vai renovar o comando de mais de 5 mil prefeituras, este dado é muito preocupante, pois indica o despreparo dos eleitores para avaliar as intenções e propostas dos candidatos em relação ao ensino. E os municípios têm grande responsabilidade na formação dos estudantes: de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no mínimo 25% da receita dos impostos municipais deve ser destinada à manutenção e ao desenvolvimento do ensino público. É nesse vácuo entre a letargia dos cidadãos e o descaso dos governantes que atua o movimento Todos pela Educação uma mobilização apartidária formada por representantes da sociedade civil, iniciativa privada, educadores e gestores públicos, com o propósito de colocar a educação na pauta diária do país, contribuindo para qualificá-la. O fracasso do ensino formal no Brasil é uma triste realidade e contrasta com a visão excessivamente positiva que pais e educadores continuam tendo das escolas. Enquanto estes acreditam que o ensino brasileiro é satisfatório, nossos estudantes aparecem nos últimos lugares nas avaliações internacionais. Pior ainda: segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica, apenas dois de cada 10 alunos da 8ª série do Ensino Fundamental aprendem conteúdos adequados de língua portuguesa e somente um em 10 conquistam as competências necessárias em matemática. São muitos os motivos para preocupação na área educacional. O mais grave, porém, é o que está por trás das estatísticas. Não dominar a língua escrita é um obstáculo intransponível para o exercício da cidadania. Numa sociedade fundamentada em sinais gráficos, quem não lê fica alijado de oportunidades ou dependente de outras pessoas até mesmo para ações simples do cotidiano, como pegar um ônibus ou ler uma bula de remédio. Esta deficiência se potencializa na hora de disputar uma vaga no mercado de trabalho. Por isso, as lideranças da sociedade que deflagraram o movimento Todos pela Educação elegeram como cinco metas prioritárias a serem alcançadas até 2022 as seguintes: toda criança e jovem de quatro a 17 anos na escola; toda criança plenamente alfabetizada até os oito anos; todo aluno com aprendizado adequado à sua série; todo jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos; investimento em educação ampliado e bem gerido. O atingimento destas metas não depende apenas dos condutores do movimento, mas sim do engajamento de todos os setores da sociedade brasileira. Embora a educação apareça como sexta prioridade no interesse dos eleitores neste momento, é imprescindível que os cidadãos se conscientizem de sua importância para a conquista dos demais avanços que pleiteiam. E, para isso, é bom que comecem a cobrar desde já a inclusão deste tema na agenda dos seus futuros governantes. É imprescindível que os cidadãos se conscientizem da importância da educação