É afrontoso que o presidente da Câmara dos Deputados utilize o pedido de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer como instrumento de chantagem. Aliás, é um acinte para a nação que um réu da Lava-Jato continue ocupando cargo tão importante na administração pública, o segundo na linha de sucessão presidencial, em caso de afastamento da presidente. É inadmissível que seus pares continuem boicotando os trabalhos do mais longo processo até hoje da Comissão de Ética, no qual é investigado. E é difícil de entender também como o Supremo Tribunal Federal (STF) não dá andamento logo à denúncia encaminhada pelo procurador-geral da República, pedindo sua cassação. Responsável pela celeridade no exame da admissibilidade do processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, o presidente da Câmara foi acusado no STF pelo procurador-geral da República de delinquente, de ter transformado a Câmara num balcão de negócios e de constranger e intimidar testemunhas. Ainda assim, também no Judiciário não há prazo para uma decisão sobre o suspeito de ter recebido mais de R$ 5 milhões em propina em contas na Suíça entre outras razões, pelo fato de o afastamento do presidente de um poder ser considerado medida extrema. Na Câmara, que já deveria ter se pronunciado há mais tempo sobre esse processo que se arrasta por conta de sucessivas manobras desde outubro, o risco mais provável é o de tudo acabar num acordão. Depois do desgaste provocado no que restava de sua credibilidade no dia da votação da admissibilidade do impeachment, com a pobreza de argumentos nas justificativas de seus votos, os parlamentares deveriam aproveitar o caso como pretexto para tentar recuperar sua imagem. Só farão isso, no entanto, se forem pressionados pela sociedade. Na Câmara dos Deputados o risco mais provável é o de tudo acabar num acordão