Editoriais
Quinta-feira, 12 de Abril de 2012, 22h:10
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É preciso agir logo
Às vezes, não é preciso entender de números, percentuais e quantificações para compreender a real dimensão de um acontecimento. A epidemia de dengue que neste momento atinge Cuiabá e Várzea Grande é um exemplo disto. Não é mais necessário ler os jornais, ou assistir aos programas de televisão, para saber o quanto a doença está disseminada nas duas maiores cidades do Estado. Basta olhar para os lados e observar: será difícil encontrar algum leitor que não tenha em casa, ou no círculo de amizades próximas, alguém que não fora infectado pelo mosquito Aedes aegipty, causador do mal. Nas conversas de calçada, nos escritórios, nas repartições públicas, está havendo, por estes dias, uma percepção generalizada de que a dengue atingiu proporções epidêmicas na cidade. Cabe a um jornal traduzir esta percepção em números. Reportagem publicada na edição de ontem mostra que, em cinco semanas, o número de casos notificados em Cuiabá saltou de pouco mais de 600 para 2.726. Mas o dado mais alarmante é outro. Na Capital, a quantidade de pessoas que tiveram a dengue confirmada entre janeiro e a primeira semana de abril é 150% superior às notificações do ano passado inteiro. Traduzindo: em menos de quatro meses, os casos já são mais do que o dobro do verificado em doze meses de 2011. Daí, a percepção generalizada de que a doença está mesmo fora de controle. Separada de Cuiabá por apenas um rio, Várzea Grande não poderia ter um cenário diferente. O município teve aumento de 300% nas ocorrências em relação a 2011. São pouco mais de 1.200 notificações até a primeira semana deste mês, contra 360 durante os 12 meses de 2011. O resultado destes números pode ser descrito pela sensação generalizada de que a doença está em todos os lugares, atingindo, por vezes, famílias inteiras. A situação está tão grave que a superlotação, que antes era algo restrito a hospitais públicos, agora tem atingido também os privados. Em hospitais visitados por repórteres deste Diário, a sensação que se tem é de que se está num depósito de pacientes, tal a quantidade de gente à espera do atendimento. E todos com os mesmos sintomas: febre, dor no corpo e no fundo dos olhos. Diante deste quadro, é preciso que as autoridades ajam com rapidez, se for o caso aceitando a propalada ajuda do Exército por meio de hospitais de campanha. O que não se pode mais é perder tempo. Não é mais necessário ler os jornais para saber o quanto a doença está disseminada