Sem receber o tratamento que merecia, a 13ª Semana Nacional Antidrogas transcorreu quase no anonimato entre os dias 17 e 26 deste mês neste país cada vez mais refém da cocaína e suas variantes, da maconha e de outras substâncias alucinógenas. A exemplo do que acontece nacionalmente, Mato Grosso enfrenta sérios problemas de ordem social, de saúde e de criminalidade motivados pelo narcotráfico, tráfico formiguinha e o uso das drogas ditas pesadas. A criminalidade diretamente ligada às drogas predomina entre os crimes praticados em Cuiabá, Várzea Grande e nos demais municípios. Essa situação não tem como ser revertida apenas com o enfrentamento policial, porque no mundo inteiro os cartéis não se rendem e conseguem driblar as barreiras e escapar dos cercos policiais. Para que as drogas recuem e fiquem no chamado nível suportável será preciso a participação ativa, constante e dedicada da família. Não se pode deixar de prender o traficante, mas se paralelamente à ação policial não se desencadear movimentos familiares de suporte e apoio em todos os sentidos aos dependentes das drogas, o círculo vicioso continuará. Para cada traficante preso o tráfico encontra substituto. A miséria social, a falta de horizontes para boa parcela da juventude, desajustes sociais e até mesmo a aventura inerente ao jovem contribuem para a continuidade do tráfico em toda sua dimensão. Portanto, a melhor trincheira nessa luta fica do lado de dentro das portas das residências familiares. Enquanto a família fizer vistas grossas, tentar desqualificar os riscos que corre o filho usuário ou partir com todas as armas em sua defesa toda vez que o Estado o prender numa boca de fumo ou conduzindo drogas, a sociedade como um todo sairá perdendo. A Semana Nacional Antidrogas foi uma grande e boa oportunidade que as famílias mato-grossenses com filhos ou parentes usuários deixaram escapar. Ao longo de sua realização deveriam ter sido promovidos encontros, mesas redondas, trocas de experiências e outros atos para que o maior número possível de familiares de unisse pela recuperação dos seus membros atingidos pela dependência química ou psíquica. A temática Semana Nacional Antidrogas passou. Porém, os que deveriam tê-la aproveitado e não o fizerem precisam recuperar o tempo perdido. Todo dia é data apropriada para se defender os familiares. Que se formem grupos de moradores em bairros, regiões, pequenas localidades e que juntos passem as drogas ao crivo da verdade vendo o usuário enquanto vítima e não na condição de criminoso, até porque este não é o entendimento da lei. A partir do instante em que a família entrar na luta contra as drogas a situação começará a se reverter. Apoio do Estado e de instituições e igrejas não faltam. Que os familiares dos usuários passem a enxergar a violência que os cerca também como consequência da capa de proteção que jogam sobre seus parentes que alimentam financeiramente o tráfico. A melhor trincheira nessa luta fica do lado de dentro das portas das residências familiares