Mato Grosso é um emaranhado de grandes contrastes econômicos e sociais a julgar pelos resultados do Censo Demográficode 2010 e da renda per capita dos seus indivíduos relativa ao ano de 2008, ambos apurados pelo IBGE e recentemente divulgados. Mesmo que se leve em conta a continentalidade territorial e a diversificação econômica de Mato Grosso é inconcebível tamanhos contrastes sociais como esses que foram revelados pelo IBGE e que apontam a existência de um absurdo fosso entre as realidades dos municípios, de tal modo que os separa em blocos constituídos por desenvolvidos, estagnados e em franco retrocesso. No período compreendido entre os censos de 2000 e 2010 Mato Grosso cresceu acima da média nacional: o Brasil alcançou 12,33% e o aumento populacional mato-grossense foi de 19,33%. Porém, enquanto Santo Antônio do Leste obteve a taxa positiva de 269,8%, Itaúba sofreu encolhimento proporcional de 46,64%, o que significa a perda de praticamente metade de sua população em 10 anos. A taxa de crescimento espelha o desempenho dos municípios ao longo de 10 anos. O Produto Interno Bruto (PIB) e a renda per capita municipal, mostrados pelo IBGE dão números ao grande e preocupante desnível social do qual brota o conflitante Mato Grosso dos extremos. Evazão populacional e renda per capita são fatos distintos, mas que tem muito em comum. Normalmente, o indíviduo somente reside na cidade onde tem condições de assegurar vida digna para si e seus familiares. Para alcançar essa condição precisa de emprego ou se tornar empreendedor. Porém, a concorrência predadora dos municípios vizinhos melhores estruturados cria entraves ao desenvolvimento em seu entorno. O governo precisa refletir sobre a necessidade de se reordenar o processo desenvolvimentista a partir dos incentivos fiscais e de outros atrativos que chegam aos investidores sob a bandeira dos grandes municípios com as bênçãos do estado. Rondonópolis tem renda per capita de R$ 24.317 ao passo que no seu vizinho São José do Povo esse indicador não supera R$ 7.354. Em situações assim, sem querer reinventar a roda, o estado precisa atuar em defesa do nivelamento econômico e social regional concedendo ao menor município vantagem para que absorva parte dos investimentos que inevitavelmente desaguariam no maior. O governo precisa desmontar as barreiras que criam bolsões formados pela riqueza de um lado representada pelo grupo constituído pelo agronegócio, mineração e setor madeireiro e, de outro, por praças garimpeiras e pequenas cidades do setor pecuário. Mas, não basta fazê-lo somente com base em acanhados textos fiscais em vigor. A concorrência predadora dos municípios vizinhos melhores estruturados cria entraves ao desenvolvimento em seu entorno, visão ampliada do contexto mato-grossense e renúncia a todos os sentimentos bairristas, pois em caso contrário Mato Grosso permanecerá na antiga dualidade da opulência e da indigência que fere a dignidade humana. É inconcebível tamanhos contrastes sociais como esses que foram revelados pelo IBGE