Editoriais
Sexta-feira, 19 de Maio de 2006, 20h:39
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Descontrole total
A venda, por um funcionário terceirizado da Câmara, de informações sigilosas de uma CPI para o chamado Primeiro Comando da Capital (PCC) ajuda a confirmar a idéia de total descontrole em algumas instituições. Somado à chacina que vem se seguindo à matança e ao caos provocado em São Paulo pelo crime organizado, o fato passa a idéia de uma situação na qual o poder dos bandidos parece se sobrepor ao das instituições. A confusão e o afrouxamento de responsabilidades, muito mais do que a falta de leis, facilitam o crime e a impunidade. O que o país presencia hoje, antes mesmo de ter conseguido dar uma resposta adequada à crise política provocada pelo chamado mensalão, é a consumação na prática de alertas que, há poucos anos, pareciam mero alarmismo. Uma gravação de conteúdo sigiloso, vendida no Congresso por R$ 200, detona uma explosiva reação do crime organizado, instala o pânico entre a sociedade e mesmo entre policiais - eleitos como alvos preferenciais dos atentados - e paralisa a maior cidade do país. As ações expõem a fragilidade das instituições e os desacertos entre diferentes instâncias da federação, potencializados por interesses políticos de um ano eleitoral. A população, que só quer segurança, assiste a tudo sob temor e indignação. Quando a situação parecia se encaminhar no mínimo para uma trégua, ampliam-se os rumores de conversações pouco transparentes entre homens públicos e bandidos. E, para completar, intensificam-se chacinas que em tudo lembram vingança, reforçando os temores de que a própria lei também foi incluída entre as vítimas do clima de terror. Ainda assim, o Congresso sequer se preocupa em aproveitar a oportunidade para se reabilitar perante os brasileiros de sua leniência com crimes como os ligados ao valerioduto e o das ambulâncias superfaturadas. O máximo que os parlamentares ousam é tentar mostrar trabalho desengavetando mais leis, num país em que a grande dificuldade é fazer cumprir as já existentes. Diante de tudo isso, é oportuno o alerta, publicado ontem na Folha de S. Paulo por um grupo de juristas, de que, mesmo diante do medo, a cidadania não pode se deixar levar pela insolência e pela agressividade dos que advogam a barbárie e abdicar dos princípios do direito. Isso porque, como alertam os especialistas, o que pode derrotar a barbárie é mais civilização - não a truculência. O que pode derrotar a barbárie é mais civilização, não a truculência