O espaço aéreo de Mato Grosso é totalmente vulnerável. Prova dessa afirmativa foi a localização na terça-feira desta semana, dos destroços de um avião agrícola que desapareceu após decolar do aeroporto de Santo Antônio de Leverger, em 11 de janeiro de 2002, portanto há mais de oito anos. O que sobrou da aeronave foi encontrado casualmente por um fazendeiro que combatia fogo em sua propriedade. Se o espaço aéreo mato-grossense tivesse efetivo monitoramento pelo Sistema de Defesa da Amazônia (Sivam) os radares tridimensionais móveis da Força Aérea Brasileira (FAB) instalados em Sinop, Porto Esperidião, Comodoro e outras localidades saberiam o horário e teriam a localização exata do ponto em que a aeronave desapareceu da tela dos controladores de voos. A queda do monomotor de prefixo N900324 causou a morte de seu piloto, Roberto Machado Bonilla e de sua mulher e passageira Júlia Komori. O charuto do avião foi desintegrado e sua sucata espalhou-se pelo mato numa fazenda no distrito de Mimoso, município de São Antônio de Leverger, numa área não distante de seu ponto de decolagem. Esse fato desperta autoridades e a população para a falta de controle do tráfego aéreo em Mato Grosso, estado vizinho da Bolívia que é um dos principais produtores mundiais de cocaína. A utilização do espaço aéreo mato-grossense pelo narcotráfico é uma realidade e ao mesmo tempo desafio aos policiais federais, porque a Polícia Federal não tem estrutura para combater crime no ar. Essa atribuição é de competência da FAB, que inclusive conta com a prerrogativa dos poderes que lhe confere a Lei do Abate. Distante de Mato Grosso, a FAB não tem base aérea no estado, o que praticamente torna inócua a Lei do Abate para interceptação e, em último caso, ataque ao avião que se recusar a obedecer ordem para pousar. Essa situação fere não somente os planos de combate ao narcotráfico, mas também expõe o Brasil no contexto da geopolítica militar continental numa vastidão territorial com mais de 900 mil quilômetros quadrados. Mato Grosso, por sua bancada federal e seu governo precisa reagir contra a ineficiência do controle do seu espaço aéreo e, consequentemente contra a insegurança da aviação civil. Quanto a essa situação vale recordar o acidente em 2006 com o Boeing do fatídico voo 1907 da Gol, que vitimou 154 passageiros e tripulantes nas matas do Xingu. Quando o Boeing da Gol caiu no Xingu após colidir com um jato executivo autoridades aeronáuticas admitiram que há claros em Mato Grosso na comunicação das torres com pilotos no trecho da aerovia do Rio de Janeiro para Manaus. O Ministério da Defesa tem obrigação constitucional de dar tratamento federativo a Mato Grosso no tocante ao controle do espaço aéreo. A situação existente é inadmissível e tem que ser revertida de imediato em nome da segurança da aviação civil e da soberania nacional. Distante de Mato Grosso, a FAB não tem base aérea no estado