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Editoriais
Terça-feira, 27 de Julho de 2010, 19h:29

Data para reflexão

Mato Grosso não é exceção e a exemplo dos demais estados enfrenta o problema social do êxodo rural. Enquanto as cidades crescem o campo esvazia-se, fator esse que no futuro inevitavelmente resultará da redução da produção de alimentos pela escassez de braços para a atividade agropecuária. O Brasil não tem política pública suficientemente capaz de estimular a moradia na zona rural, mas esse não é o caso da China, que tem a maior população mundial (mais de 1,3 bilhão de indivíduos) e que mantém no campo mais de 75% de seus habitantes. Por isso, aqui, o fluxo migratório é constante e irreversível rumo às cidades. Com a evolução tecnológica a serviço da agropecuária o Brasil consegue manter crescimento de produção e produtividade de grãos, plumas, frutas, legumes, verduras, carne bovina e suína, aves, ovos, peixes de piscicultura, leite e lácteos, mas chegará o momento em que será imprescindível maior presença de trabalhadores no campo. Campeão nacional de produção de soja e algodão, Mato Grosso também tem o maior rebanho bovino do Brasil e se destaca enquanto produtor de arroz de sequeiro, milho safrinha, cana-de-açúcar, cacau e guaraná. No entanto, essa condição não consegue estimular o caminho inverso ao percorrido pelas levas que trocam o campo pelas cidades. A produção mato-grossense é garantida pelo agricultor que se mantém no campo, ao lado de suas lavouras, com invejável dedicação cultivando o solo como se essa atividade fosse verdadeiro ritual religioso. Graças aos remanescentes da zona rural a economia de Mato Grosso continua tendo por principal base o agronegócio. Em Mato Grosso ninguém sabe até quando resistirá o agricultor em sua lavoura, ao cabo do arado ou ao volante do trator. O que é de domínio comum é o atrativo da cidade, ao passo que no campo esse trabalhador enfrenta problemas de toda ordem. O agricultor é penalizado por injusta carga tribuária direta e indireta que incide sobre seus insumos agrícolas, defensivos, combustível e demais produtos necessários ao cultivo da lavoura. É vítima da insegurança jurídica sobre a titularidade de sua propriedade, sempre alvo dos conceitos da “função social da terra”. Enfrenta a dificuldade de escoar sua safra da porteira para fora. Sofre com a violência que migra para o campo, onde espalha terror. Esses e tantos outros problemas tornam ainda mais penosa a atividade que é exercida sob permanente risco de intempéries e de problemas fitossanitários, no campo cada vez menos habitado. Ao homem do campo que em Mato Grosso resiste na difícil tarefa de produzir alimentos para saciar a fome da humanidade, os cumprimentos do Diário pela data que hoje se celebra, o “Dia do Agricultor”. Que essa data seja comemorada pela população mato-grossense, mas que ao mesmo tempo seja tempo de reflexão sobre política pública de alimentação, estímulo ao domicílio rural e sobre o agricultor. Ninguém sabe até quando resistirá o agricultor em sua lavoura, ao cabo do arado ou ao volante do trator

Edição EDIÇÃO 16960




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