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Editoriais
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011, 19h:30

Crise e protecionismo

A condenação ao protecionismo como forma de os países atenuarem internamente os efeitos da crise internacional vem ganhando ênfase em diferentes fóruns internacionais. Porém, na prática, o que se vê é uma grande distância do discurso. Assim como nos países desenvolvidos, que mesmo em crise seguem impondo tarifas e cotas às importações, além de subsidiar amplamente sua produção interna, prejudicando a concorrência, também as nações emergentes – entre elas o Brasil – se sentem tentados a proteger sua indústria. A eliminação dessa dicotomia, que no final das contas acaba prejudicando tanto as empresas quanto os consumidores, precisa ser enfrentada de forma conjunta. É preciso que as nações desenvolvidas e as em desenvolvimento façam uma opção clara para abrir os mercados e não de fechá-los. Semana passada, na abertura da Assembléia Anual das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff foi contundente ao advertir que o protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos. A justificativa da presidente brasileira foi de que esses mecanismos dão maior competitividade de maneira fraudulenta e espúria. Assim como ocorre no caso de outros países, porém, também o governo brasileiro vem sendo cobrado a explicar uma visível incoerência entre a defesa do livre mercado e decisões recentes tomadas como alternativa para atenuar os efeitos da crise global. Entre elas, está a elevação de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados e também para os fabricados no país cujas montadoras não usarem um mínimo de 65% de componentes nacionais e não investirem em inovação. Ao participar, em Washington, do encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apressou-se em tentar dissociar a iniciativa de protecionismo, e condenou esse tipo de prática. Na realidade, porém, trata-se de um inegável cerceamento ao livre comércio. Como advertiu o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, nesse momento, é importante que os países evitem tomar “decisões estúpidas” como o protecionismo comercial. A alternativa mais indicada, sugeriu, seria concentrar a atenção nos motores de crescimento de longo prazo. Durante a crise de 2008, após a quebra do banco Lehman Brothers, a primeira iniciativa de muitos países diante do recrudescimento da crise internacional foi tentar proteger suas economias. O mesmo está acontecendo agora. Diante de um quadro de incerteza global, o Brasil acerta ao adotar medidas para fortalecer seu mercado interno, mas erra ao persistir em restrições ao livre comércio que tendem a impor um custo alto mais à frente. O Brasil acerta ao adotar medidas para fortalecer seu mercado interno, mas erra ao persistir em restrições ao livre comércio

Edição EDIÇÃO 16967




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