Editoriais
Terça-feira, 16 de Setembro de 2008, 20h:49
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Crise de confiança
A crise financeira norte-americana, que se arrasta há cerca de um ano, atingiu esta semana o seu ponto máximo, com a bancarrota do quarto banco de investimento dos Estados Unidos e a aquisição do terceiro no ranking por um conglomerado financeiro, dois fatos consistentes para disseminar o pânico pelos mercados. As dificuldades, agravadas num fim de semana atípico, serviram ao menos para demonstrar que, ao contrário de situações anteriores, desta vez o governo norte-americano decidiu não intervir, pois os dois candidatos em disputa pela Casa Branca são contrários ao uso de dinheiro do contribuinte nessas situações. Ainda assim, é urgente a necessidade de os mecanismos de controle incluindo as agências de risco e os sistemas de regulação restabelecerem a confiança dos mercados, depois do fracasso demonstrado na capacidade de prever e enfrentar crises dessa amplitude. Ao contrário do que ocorreu em episódios anteriores, desta vez o Brasil tem pouco a ver com os episódios. O país não tem ligação direta com os chamados subprimes hipotecas de segunda linha , que estão na origem do abalo financeiro, nem com o anúncio da concordata do Lehman Brothers, nem com a apressada operação de salvamento do Merril Lynch. Ao recorrer a uma medida extremada, o gigante norte-americano deixou claro, por exemplo, que tem entre seus credores bancos japoneses, europeus e chineses, o que tende a ampliar o alcance da derrocada. Assim como demonstrou ontem o comportamento do mercado nos grandes centros, com queda acentuada nas bolsas de valores, o Brasil tende a enfrentar conseqüências decorrentes do aumento da aversão ao risco. De alguma forma, portanto, o contribuinte brasileiro acaba pagando parte da conta. Menos mal que, ao contrário de crises anteriores, que se sucedem desde a mexicana e a asiática na década passada, desta vez o país se mostra mais preparado para enfrentar as turbulências. Ainda assim, quando as finanças mundiais se agravam, como neste momento, fica evidente que o Brasil sempre poderia ter feito mais para se imunizar contra crises externas, a começar por reformas como a tributária. Num mundo em que a internacionalização dos mercados confere proporções mundiais a qualquer crise, ainda mais quando estão em jogo prejuízos sem precedentes desde a chamada Grande Depressão, aumenta particularmente a responsabilidade dos organismos financeiros. A discussão, portanto, não pode se limitar a até que ponto instituições como o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, devem ou não socorrer bancos em apuros, evitando passar ao mercado a idéia de que sempre será possível contar com ajuda oficial, nem em palavras tranqüilizadoras como as do presidente George W. Bush. O que os países desenvolvidos precisam é fazer com que seus órgãos de regulação e de prevenção de crises voltem de imediato a se mostrar em condições de garantir um mínimo de segurança ao funcionamento dos mercados globais. Ao contrário do que ocorreu em episódios anteriores, desta vez o Brasil tem pouco a ver com os episódios