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Editoriais
Segunda-feira, 12 de Março de 2012, 20h:49

Crime revoltante

Licínio Neves de Oliveira não é figura pública em Várzea Grande. Trabalhador anônimo, Licínio tem 41 anos e garante o pão de cada dia de sua família pilotando uma motocicleta num vaivém sem-fim por força de sua profissão de mototaxista. Por que razão um humilde mototaxista em Várzea Grande vira personagem deste editorial? A resposta é simples: ele foi vítima de uma grande violência por parte de marginais que tomaram sua moto no Centro daquela cidade, no domingo desta semana, quando trabalhava. Rendido por dois indivíduos, Licínio não reagiu, mas mesmo assim foi agredido por um dos assaltantes, que desferiu um golpe de faca na face. O ferimento no rosto também atingiu sua língua. Licínio está internado no pronto-socorro municipal de Várzea Grande. No crônico cenário da violência banalizada no aglomerado urbano de Cuiabá, ocorrência igual a esta sequer ganha destaque no noticiário, porque em todos os dias acontecem muitos casos graves que resultam em mortes, ferimentos e em danos morais e materiais. Por mais que a população saiba da existência da violência; por mais que o cidadão seja vítima dos marginais; e por mais que a criminalidade avance sobre a sociedade, um tipo de crime como este não pode permanecer impune , sua prática tem que chegar ao conhecimento público. Uma sociedade organizada não pode permanecer de braços cruzados diante da violência que foi praticada contra o mototaxista Licínio, quando ele exercia sua profissão em pleno domingo no Centro de uma cidade com mais de 250 mil habitantes. Quanto a este caso, a polícia deve uma resposta convincente aos cidadãos. É dever do aparato policial prender a dupla que praticou a violência contra o mototaxista Licínio. Os criminosos têm que ser denunciados, julgados e condenados a penas compatíveis com o ato desumano que perpetraram. Se este caso não for elucidado, cair na galeria do esquecimento e seus autores continuarem em liberdade para praticar outros crimes iguais a este ou ainda mais revoltantes, a sociedade perderá o que ainda lhe resta de crença na instituição Estado. A prática do dia-a-dia nos mostra que o crime avança, ganha novas facetas, e que a Segurança Pública não consegue revertê-lo; que a realidade não tem espaço para mascaramento do quadro e nos deixa claro que o sistema penitenciário está saturado; e que a Justiça é muito lenta. Mesmo assim – já que é impossível botar em prática a máxima de que para cada ação uma reação – em determinadas circunstâncias é preciso agir rápido, com rigor, para punir criminosos, antes que a auréola da impunidade sobre eles estimule mais marginais a idêntica prática criminosa. Que o cerco se feche sobre os que atacaram o mototaxista Licínio antes que mais cidadãos sejam vítimas da monstruosidade que o levou ao pronto-socorro. O primeiro passo neste sentido tem que ser dado pela polícia. Uma sociedade organizada não pode permanecer de braços cruzados diante da violência

Edição EDIÇÃO 16962




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