Editoriais
Quarta-feira, 28 de Março de 2012, 22h:26
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Contagem regressiva
Remando rio acima sob a liderança do bandeirante Paschoal Moreira Cabral, os pioneiros chegaram em busca de ouro. Da lavratura da ata de fundação do lugar até hoje a população passa pelo constante processo de miscigenação. A cidade que se formou no redor da Igreja do Rosário e de São Benedito é a esquina do continente sul-americano e, nessa condição, construiu sua base econômica prestando serviços públicos a um grande raio em seu redor. De sua criação em 8 de abril de 1719 até os anos 1939 quando ganhou seu primeiro aeroporto, que foi construído no local onde se encontra o clube do Círculo Militar - Cuiabá amargava isolamento somente quebrado pela generosidade das águas do rio que lhe empresta o nome e que a ligava a Corumbá, de onde ganhava o mundo nas embarcações que navegavam pela Hidrovia Paraguai-Paraná. Antes do avião e paralelamente ao transporte fluvial, Cuiabá se comunicava com outras regiões pelo telégrafo instalado na primeira década de 1900, pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Na década de 1940 foram abertos caminhos carroçáveis para Campo Grande e Goiânia. Pouco depois a BR-364 avançou para Rondônia acompanhando o traçado das linhas telegráficas de Rondon. Transcorridos 30 anos a pavimentação facilitou a ligação de Cuiabá com Brasília, com o Centro-oeste e, algum tempo depois, com Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima. Em 1970 Cuiabá ganhou a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), instituição formadora de profissionais liberais e que exerce papel de suma importância no desenvolvimento sustentável mato-grossense. De conquista em conquista, Cuiabá chegou a 550 mil habitantes, que se somados aos moradores de Várzea Grande formam um núcleo com mais de 850 residentes na conurbação do aglomerado urbano. A cidade cresceu, ganhou ares de verticalização e sua situação política e geográfica lhe deu a condição de polo prestador de serviços ao Estado que é campeão na produção de soja, algodão e milho safrinha, e que tem o maior rebanho bovino nacional. A Cuiabá de tantas conquistas e transformações é a mesma cidade do ontem, no tocante à preservação de sua cultura, culinária e tradições que se espelham bem no cururu e siriri, na farofa com banana e na maria-isabel, e no guaraná ralado e os festejos a São Benedito. Sem abrir mão do ontem, se empenhando no hoje e com o olhar além da linha do horizonte, Cuiabá inicia hoje a contagem regressiva de 10 dias para seu aniversário de fundação. O olhar além da linha do horizonte não impede Cuiabá de compreender que se encontra numa incômoda situação enrodilhada pelos tentáculos da criminalidade oriunda do narcotráfico e do tráfico, com graves problemas por falta de esgoto e precariedade do sistema de distribuição de água e com sua malha viária estrangulada. Que o olhar além da linha do horizonte enxergue a necessidade de se reverter a criminalidade e de modernizar a cidade dotando-a de infraestrutura graças à janela que se abre com a Copa do Pantanal em 2014. A quase tricentenária Cuiabá merece estas conquistas. Cuiabá amargava isolamento somente quebrado pela generosidade das águas do rio que lhe empresta o nome