Editoriais
Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017, 16h:24
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Confiança em 2018
A confiança de analistas de mercado na retomada consistente da economia em 2018, como mostra o Relatório Focus, do Banco Central, é um sinal particularmente positivo para o país. O otimismo demonstra que a atividade econômica está, finalmente, a se mostrar menos impactada pela crise política. Mas falta ainda definir um horizonte de equilíbrio para o setor público e de estímulo para a iniciativa privada. Reformas fundamentais, como a previdenciária e a tributária, continuam na fila do Congresso. É preciso, antes de tudo, deixar evidente para a população que, mesmo em ano eleitoral, a busca de harmonia nas contas e a estabilidade da dívida pública serão prioridades - ainda que o receituário seja rígido e costume impor sacrifícios. Sem eles, não serão criadas as condições necessárias para a retomada do emprego. A consistência da reação depende em muito da capacidade do Governo Federal e dos aspirantes ao Planalto transmitirem confiança à sociedade sobre o compromisso com rigor fiscal. É importante também que os pré-candidatos tornem claras suas pretensões para a área econômica. Não há dúvidas de que o ano que termina trouxe avanços, mas a dívida líquida continua subindo de forma consistente, saindo de 30,5% do Produto Interno Bruto em 2013 para 50,7% em 2017, segundo a Fundação Getulio Vargas. O rombo nas contas públicas, estimado para R$ 159 bilhões, deixa claro que há mudanças estruturais importantes e que precisam ser encaminhadas. O otimismo de analistas não pode embaçar a percepção dos políticos quanto à difícil situação da economia brasileira. A recente redução da taxa básica de juros para 7% é uma medida acertada, que deve estimular a reação econômica, mas a fundamental reforma da previdência ficou para o próximo ano. O tema deve estar no centro do debate político em um ano marcado por eleições no Executivo e também para senadores, deputados federais e estaduais. Será preciso convencer o Congresso de que muitas providências, mesmo impopulares, são imprescindíveis. É preciso que fique claro que ainda falta muito a ser feito para que possamos entrar em uma trajetória de crescimento compatível com as necessidades de um país emergente como o Brasil. O ano que termina trouxe avanços, mas ainda falta definir um horizonte de equilíbrio para o setor público e de estímulo para a iniciativa privada em 2018