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Segunda-feira, 26 de Março de 2012, 21h:35

Causa e efeito

Desde o final de semana Mato Grosso é sacudido por onda de violência com assassinatos, ferimentos à bala e facada e uma série de crimes que choca e ao mesmo tempo assusta e causa indignação à população. Alguns destes crimes aconteceram por falta de maior presença policial nas ruas. Porém, outros fogem por completo à capacidade de prevenção por parte das autoridades policiais. Assustador neste cenário é que algumas das vítimas eram garotos, que na versão policial teriam algum tipo de envolvimento com o tráfico de drogas. Esta violência banalizada é o capítulo derradeiro de muitas crianças que não tiveram direito à infância e que precocemente foram recrutadas por traficantes. Em situações assim, os assassinatos dos menores não podem ser vistos somente pelo aspecto criminal, porque eles são oriundos de problemas de ordem social tanto no âmbito familiar – ou da ausência da família - quanto no conjunto da população. Além dos crimes que vitimaram menores do sexo masculino, no final de semana a violência também se manifestou em Poconé, no Alto Pantanal, onde a menina Caroline Cristine de Almeida Martins, de 15 anos, foi estuprada e morta com um golpe na cabeça. Nenhum esquema de segurança é capaz de impedir um crime bárbaro como foi o assassinato de Caroline. Isso, porque a juventude age com desenvoltura, frequenta a noite e tem suas próprias regras de conduta. Somente por fator sorte – com uma viatura passando pelo local onde ela era levada por seu executor - a polícia poderia evitar a violência contra a menina de Poconé, crime repugnante que exige rápida elucidação e punição rigorosa ao seu autor ou seus autores. Violência é inerente ao ser humano, mas pode ser reduzida a índices ditos suportáveis desde que a polícia cumpra seu papel investigativo, preventivo e ostensivo, e que os demais dentes da engrenagem do Estado – em todas as suas esferas – atuem de modo a evitar que crianças se deixem arrastar pelos tentáculos do tráfico e que adultos sem perspectivas de vida trilhem o mesmo caminho. Mato Grosso precisa de uma política social compartilhada pelo Estado e pelos municípios e segmentos sociais para impedir que o crime organizado substitua com jovens e até mesmo com adultos os vácuos que as condenações judiciais e as mortes causam em sua formação. Investir no social de modo prático, sempre buscando a atividade-fim, é a melhor maneira de reduzir a criminalidade e o envolvimento de menores com o crime. Sem este tipo de investimento não será possível conter a onda de violência, por maior que seja o empenho policial. Sem prejuízo do combate ao efeito, Mato Grosso tem que combater as causas da violência. Para tanto, a estrutura estatal precisa agir em todas as áreas, ora de modo isolado, ora transversalmente, para cortar a corrente que irriga com novos nomes o submundo do crime. Se assim o fizer, o governo eliminará as ondas de violências iguais a esta que assolou Cuiabá e outros municípios no final de semana. Mato Grosso precisa de uma política social compartilhada pelo Estado e pelos municípios e segmentos sociais

Edição EDIÇÃO 16965




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