Editoriais
Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012, 21h:31
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Bons sinais
Alguns indicadores importantes divulgados na última semana demonstram que a atividade econômica assume sinais de recuperação, modestos mas numa velocidade que ultrapassa as previsões mais otimistas. Ainda é cedo para se confirmar a garantia feita na última sexta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o país irá repetir o fenômeno de 2008, quando foi um dos últimos a ser afetado pela crise internacional e um dos primeiros a sair dela. Os dados sugerindo uma virada, porém, são consistentes, confirmando o acerto de ações pontuais, reforçadas durante a última semana com uma guinada na política econômica a partir da qual a ênfase passou a ser a infraestrutura de transportes. A confirmação da tendência vai depender da capacidade de o país pôr em prática esta e outras mudanças importantes para destravar o crescimento. Como garantiu também o ministro da Fazenda diante dos primeiros sinais de retomada, o governo continuará adotando todas as medidas ao seu alcance para assegurar a continuidade desse movimento ainda incipiente. O resultado mais concreto foi o divulgado pelo Banco Central, que indicou um avanço de 0,75% na atividade econômica em junho, na comparação com o mês anterior. Outros indicadores, publicados simultaneamente, vão no mesmo sentido: as vendas do comércio varejista se ampliaram, o saldo entre contratações e demissões está maior, o índice de confiança do empresariado industrial aumentou. E, para completar o quadro positivo, a inadimplência dos consumidores está menor, indicando maior potencial de vendas para o comércio. Os primeiros indícios de uma recuperação da atividade econômica, ainda em níveis modestos, poderiam ser mais consistentes se o país já tivesse posto em prática reformas estruturais sempre proteladas. Entre as prioritárias, mantêm-se a da Previdência, essencial para assegurar mais equilíbrio nas contas públicas, e a tributária, precondição para reduzir os entraves à produção. Muitos segmentos da indústria estão reagindo agora porque o governo consentiu em reduzir alíquotas. A desoneração, porém, precisa favorecer toda a atividade econômica, que também depende de menos burocracia e mais investimentos na área educacional e em inovação para se expandir nos níveis necessários para o país gerar riqueza e oportunidades de trabalho. É importante ter presente também que a economia pode estar reagindo, mas os níveis de expansão registrados nos últimos anos têm sido inferiores aos necessários. O país precisa reunir as condições para que sua economia se expanda em níveis adequados e de forma continuada. A necessidade cresce num momento como o atual, em que esses primeiros acenos de retomada da atividade produtiva desafiam a equipe econômica a confirmá-los e a aprofundá-los para evitar prejuízos a todo esforço empreendido até agora. O país precisa reunir as condições para que sua economia se expanda em níveis adequados e continuado