Editoriais
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012, 22h:07
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Bandeira do governo
Empenhado em abrir espaço para a queda gradativa da taxa de juros, que pretende transformar na sua bandeira da área econômica, o governo federal dispôs-se a enfrentar uma questão delicada, percebida pela imensa maioria dos brasileiros com uma elevada dose de carga emocional: a mudança na remuneração da caderneta de poupança. O desafio imposto pela presidente Dilma Rousseff à equipe do Ministério da Fazenda foi o de encontrar uma fórmula capaz de manter a confiança dos correntistas, sem provocar uma migração em excesso de grandes investidores para essa modalidade. Como as alterações anunciadas na última semana valerão apenas para novos depósitos, quando o juro cair a 8,5%, tudo vai depender em grande parte da habilidade do governo para explicar as mudanças. Assim como as medidas precisam se mostrar adequadas quando transpostas do papel para a prática, também os poupadores deverão ser convencidos do acerto das alterações nessa que é considerada a modalidade de investimento preferida dos brasileiros. Basicamente, o que o Planalto pretende com as alterações é assegurar as condições para a manutenção da queda da chamada taxa Selic sem dar margem a uma corrida de quem está hoje nos fundos de investimento para a poupança. Com a mudança no patamar de juros, a remuneração fixa da caderneta a deixa muito atraente, tornando imperiosas as providências tomadas agora. A questão é que, transcorridos 22 anos, o país continua lutando contra sequelas legadas por uma desastrada iniciativa do governo Fernando Collor, que não hesitou em confiscar até mesmo depósitos da poupança ao assumir a presidência da República. Hoje, a preocupação é diversa, pois a intenção é preservar a atratividade da poupança num cenário inédito de queda gradativa na taxa de juros. No Brasil, há hoje 92 milhões de contas de poupança com CPFs diferentes. A estimativa é de que os depósitos somem cerca de R$ 400 bilhões, constituídos em sua maior parte pelo dinheiro economizado por pequenos poupadores. São esses recursos, ainda insuficientes numa economia do tamanho da brasileira, que bancam hoje áreas essenciais, como a de habitação popular. Preservá-los e ampliá-los, portanto, é um compromisso do qual um país com tantas carências não tem como abrir mão. No Brasil, há hoje 92 milhões de contas de poupança, os depósitos somem cerca de R$ 400 bilhões