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Editoriais
Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011, 18h:55

Aviões contra fogo

Por falta de cidadania de alguns, o governo de Mato Grosso se viu no dever de buscar financiamento para a compra de aviões especializados no combate ao fogo. O montante que será investido na aquisição de duas aeronaves importadas é de aproximadamente R$ 7,5 milhões. Os focos de calor e os incêndios florestais que atingem Mato Grosso ao longo da estiagem, em sua maioria têm origem criminosa. O fogaréu que avança sobre a floresta, o cerrado, Pantanal Mato-grossense e nas áreas antropizadas, além de causar prejuízos financeiros agride o meio ambiente, deixa o Estado em desconfortante situação perante a comunidade internacional e o povo brasileiro e, pior, compromete a saúde humana, sobretudo de idosos e crianças. Uma salutar parceria liderada pelo governo de Mato Grosso e integrada pela Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas do Estado e a Associação Mato-grossense dos Municípios lançou o programa “Mato Grosso Unido contra as Queimadas”, mas apesar de todos os esforços possíveis e da severa legislação ambiental, indivíduos sem compromisso com a espécie humana e o meio ambiente insistem em atear fogo na vegetação nativa e em áreas antropizadas. O fogaréu que sequer respeita o período proibitivo do chamado fogo controlado e que se estende de primeiro de julho a 15 de outubro, desafia as autoridades. Contra ele o Estado age autuando seus autores, promovendo campanhas de conscientização contra as queimadas e no combate às chamas e, para tanto, conta com apoio de instituições federais, prefeituras e organizações não-governamentais. O fogo requer combate imediato e eficaz, porque sua propagação é rápida, principalmente no período da estiagem, que coincide com altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e com ventos fortes. Por isso o governo de Mato Grosso decidiu comprar dois aviões-tanque Air Tractor (AT-8027) de fabricação norte-americana e bem conhecido da aviação agrícola brasileira, onde se faz presente na aplicação de agroquímicos nas lavouras canavieira, algodoeira e outras. Os recursos para a compra estão assegurados pelo Fundo Amazônia e serão desembolsados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devendo o financiamento alcançar R$ 7,5 milhões, com a previsão que as duas aeronaves entrem em operação em 2012. Não se discute a importância dessa aquisição. O que se questiona é a ação criminosa do uso do fogo em áreas rurais. Se houvesse responsabilidade coletiva com o exercício pleno da cidadania com seus direitos e deveres o montante que será destinado ao pagamento dos dois aviões poderia se transformar em investimento na construção de escolas, postos de saúde, unidades policiais, creches, centros de multiuso ou ser convertido em obras rodoviárias. Que a compra dos dois aviões desperte o inconsciente coletivo para que haja reação cidadã contra os que provocam incêndios florestais. O meio ambiente de Mato Grosso exige respeito e quem o agride tem que responder administrativa e judicialmente por esse crime. O fogo requer combate imediato e eficaz, porque sua propagação é rápida

Edição EDIÇÃO 16960




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