Lamentável, mas real. Por uma série de fatores o estado não tem condições de impedir os assaltos às agências bancárias nas pequenas e médias cidades. Mas, é possível reduzir drasticamente esse tipo de crime. Melhor, há condições para se chegar aos seus autores em curto tempo, desde que sejam adotadas algumas medidas que não exigem grandes investimentos nem aumento de efetivo policial. O crime organizado sabe muito bem ocupar os vácuos do estado. Quando o cerco policial se fecha nos grandes centros a alternativa é migrar para o interior, preferencialmente nas pequenas e médias cidades com policiamento praticamente simbólico. Quando uma agência é assaltada em Paranatinga ou Canarana a reação mais eficaz da polícia é a busca aérea com helicóptero, mas os bandidos conseguem fugir antes que a aeronave cubra o percurso de Cuiabá ao local do crime. Contra esse tipo de ação o sistema de segurança dos bancos é ineficiente, pois os bandidos sempre estão armados com fuzis e metralhadoras capazes de romper a blindagem das portas, que também podem ser jogadas abaixo com camionetes em marcha à ré. Esse tipo de crime é agravado pelo fato das quadrilhas renderem clientes e bancários fazendo-os reféns, o que impede a reação policial. Segurança é dever do estado, nos ensina a Constituição. Porém, diante do clima de pavor que predomina entre bancários e das estatísticas dos assaltos às agências seria importante que governo, banqueiros, prefeituras e federações a exemplo da Famato (Agricultura e Pecuária), Fecomércio (Comércio) e Fiemt (Indústrias) constituíssem uma Parceria-Público Privada para a instalação de câmeras de segurança nas entradas das pequenas e médias cidades, para o monitoramento 24 horas de todos os acessos a essas localidades. Tais equipamentos seriam operados em tempo real por servidores da prefeitura. Em nenhuma hipótese as quadrilhas agem nas pequenas e médias cidades sem que contem com apoio logístico de criminosos locais. Esse fato facilita a ação da polícia, porque o policial conhece a bandidagem da área onde trabalha. Em Canarana onde recentemente o Banco do Brasil foi assaltado seria fácil para a polícia obter informações de populares, se tivesse em mãos fotos dos bandidos e seus veículos. Alguém teria pista para facilitar o trabalho de investigação. Seria utópico imaginar que todos os assaltos a bancos pudessem ser abortados por ações do Serviço de Inteligência. No entanto, se a polícia tiver em mãos a identificação dos veículos usados pelos bandidos e foto de alguns ou de um deles, e souber quem foi o contato local é possível prender tais criminosos. Cadeia é tudo que marginal não quer. Se houver monitoramento nos acessos das pequenas e médias cidades o assaltante entenderá que sua liberdade corre risco e a evitará. Seria importante que o estado avaliasse tal sugestão. O crime organizado sabe muito bem ocupar os vácuos do estado