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Editoriais
Sábado, 07 de Novembro de 2015, 13h:42

Aprosoja hoje e no amanhã

Entidade representativa de um dos segmentos mais importantes do agronegócio, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), elege na segunda-feira, 9, a diretoria que irá dirigi-la no próximo biênio. Duas chapas concorrem. Uma encabeçada por Vanderli Rech Júnior, e outra, por Endrigo Dalcin. No âmbito interno, junto aos seus representados produtores de soja e milho, não se vê queixas contra a Aprosoja. No entanto, a relação da entidade com o conjunto social mato-grossense deixa e sempre deixou a desejar, por seu distanciamento. Mato Grosso tem importantes entidades na área da economia rural, na esfera patronal e na área laboral. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) desenvolve bons programas sociais isoladamente e em parceria. A Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) tem intensa atuação social e também na área cultural, onde foi decisiva para a restauração do Palácio da Instrução. O Sistema Famato, formado pela Federação da Agricultura e Pecuária e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural é capilarizado socialmente nos nossos 141 municípios. A Aprosoja, no entanto, é a entidade ausente. Triste e lamentavelmente ausente. Independentemente de quem vença a eleição, o presidente tem que inserir a Aprosoja à realidade mato-grossense e não deve pensar que tal procedimento seja favor. Não é possível a continuidade do status quo, pois o mesmo fere a razoabilidade, a lógica e até mesmo os elementares princípios da cidadania. A Aprosoja é independente e formada por empresários rurais que muito orgulham Mato Grosso por sua função social e econômica na produção de alimentos. Isso significa que na individualidade de sua constituição a entidade é boa, mas na essência do conjunto é claudicante. A agricultura em escala é verdadeira ciência agronômica e como tal exige investimentos. Boa parte dos produtores recorre a financiamentos em bancos públicos a exemplo do Banco do Brasil e do BNDES, que oferecem variada linha de programas financiadores de custeio, modernização de frota e outros. O governo federal pela Lei Kandir desonera commodities agrícolas para efeito de exportação. A Embrapa é fonte permanente de pesquisa para melhoria genética e coloca seu serviço pelo fortalecimento das propriedades porteira para dentro. Claro que o governo recebe contrapartida do produtor, que é grande gerador de empregos diretos e na cadeia agrícola. Claro que o Brasil que dá certo é o Brasil agrícola (e pecuário de igual modo). Há uma relação salutar e proveitosa entre o Estado e o cidadão que produz; isso é inegável. Para que essa relação proveitosa seja plena, sem mácula, a Aprosoja precisa cumprir papel social. Cumpri-lo de imediato e de forma incessante. Que fique claro que não há fosso entre o abastado produtor e a média da população mato-grossense, de perfil pobre. Quer seja Endrigo Dalcin ou Rech Júnior, o vencedor tem que abrir portas à luz.

Edição EDIÇÃO 16967




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