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Terça-feira, 08 de Fevereiro de 2011, 20h:50

Além da institucionalidade

O segundo e último dente da engrenagem para a retomada da geração de 480 MW de energia pela termelétrica de Cuiabá foi consolidado ontem, em Brasília, numa audiência ampliada concedida pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, ao governador Silval Barbosa e a bancada federal mato-grossense; assessores de Silval participaram do ato. Lobão e Silval alinhavaram entendimento para a assinatura de convênio entre a Petrobras e Mato Grosso, que resultará no envio diário de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural ao Estado, o que certamente ocorrerá nos próximo três meses. Esse entendimento é muito importante para Mato Grosso e vai além de mera relação institucional. A importância é palpável: desde meados de 2007 a Bolívia rompe contrato de venda de gás natural para Cuiabá, o que motivou a desativação da termelétrica instalada na Capital; com o sinal verde de Lobão esse gargalo é superado. Essa conquista transcende a institucionalidade - mesmo em se tratando de ato feito com base nesse princípio – porque foi amplamente facilitado pela afinidade partidária de seus personagens, que são filiados ao PMDB. Na linguagem popular pode se dizer que Lobão ajudou Silval a desatar um nó sem ponta. Isso, porque Mato Grosso tem uma termelétrica inativa, uma vez que a Bolívia deixou de honrar um contrato de exportação de gás natural para Cuiabá, por ser incapaz de produzi-lo em quantidade para sua demanda interna e exportação aos seus três clientes: Mato Grosso, Petrobrás e Argentina. Com desequilíbrio entre demanda e oferta a Bolívia resolveu penalizar Mato Grosso. Porém, a Petrobrás importa diariamente daquele país 30,8 milhões de metros cúbicos de gás, sem que essa importação seja imprescindível ao processo de geração de energia. Ou seja, com remanejamentos é possível mudar a matriz de geração no território brasileiro permitindo assim que Cuiabá receba um quinhão desse combustível extraído da cota da Petrobrás, por meio do gasoduto Bolívia-Mato Grosso. O entendimento de Silval com Lobão foi nesse sentido. Em 21 de outubro do ano passado, portanto bem antes de bater o martelo com Lobão, Silval se reuniu em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com o presidente a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPBF), Carlos Villegas e o consultou sobre a viabilidade de se enviar para Mato Grosso parte da exportação contratada com a Petrobras. Villegas não se opôs. Restava costurar com o governo federal, mas para tanto seria preciso esperar a composição do ministério da presidenta Dilma Rousseff, pois àquela época o mandato do presidente Lula da Silva chegava ao fim. Silval esperou a posse do ministro de Minas e Energia. Por sorte, para o cargo foi escolhido seu companheiro Edson Lobão. A partir de agora nos resta esperar a elaboração do convênio e sua operacionalização, para que Cuiabá deixe de enfrentar ‘cortes’ e oscilações de energia, como ora acontece pela falta de funcionamento da termelétrica local. Na linguagem popular pode se dizer que Lobão ajudou Silval a desatar um nó sem ponta

Edição EDIÇÃO 16960




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