Grupo de risco é rótulo do passado. Atualmente toda a humanidade está sujeita ao risco de contaminação pelo vírus HIV da Aids, doença que pode ser transmitida pelo sangue, uso compartilhado de seringas, agulhas e na relação sexual sem preservativo. Desde a década de 1980 a Aids tornou-se preocupação para autoridades da saúde pública no mundo inteiro. Para despertar a população sobre cuidados e formas de prevenção contra essa doença incurável, em 1987 a Assembleia Mundial de Saúde, com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) da Organização das Nações Unidas (ONU) definiu 1º de dezembro enquanto Dia Mundial de Combate à Aids. A conscientização que avança mundo afora e de modo especial em Mato Grosso - e a adoção de normas de segurança hospitalar reduziram o alarmante índice de crescimento da doença que existia nas décadas de 1980 e 90. Porém, ainda assim, a OMS estima que diariamente surjam 7.500 novos casos de contaminação ao redor do mundo, sobretudo na África onde em alguns países o quadro é de hiperendemia. A pluralização da doença com a contaminação que não se restringe a esse ou aquele grupo etário, a sexo e a opção de sexualidade, impede que estatisticamente se saiba o quadro real da Aids nos estados e municípios brasileiros, muito embora as autoridades sempre tenham números que servem de referencial para o desencadeamento de ações. O período em que o indivíduo contaminado não apresenta sintomas da doença, o fluxo de pessoas em movimentação por todos os cantos do Brasil e do mundo, e a pluralidade de parceiros sexuais não impedem o diagnóstico e a comprovação laboratorial, mas em muitos casos dificultam a descoberta de onde e quando a doença foi contraída, para facilitar seu mapeamento e adoção de outros procedimentos. Mato Grosso derrama lágrimas pelos que tombam nas garras da Aids, enquanto desenvolve uma objetiva política de conscientização para os riscos de se contrair a doença, que a cada dia faz novas vítimas junto àqueles que rompem as universais regras de segurança. Nem mesmo essa doença com 100% de letalidade está livre dos malefícios das drogas. O dependente psicológico e químico da cocaína, quando a injeta na veia perde por completo a noção da razoabilidade e se torna presa fácil da doença ao compartilhar agulha e seringa com seus companheiros usuários. A associação dos males da droga com o risco de contaminação pela Aids é uma dupla explosiva e de difícil enfrentamento, porque as rodas de consumo de cocaína injetável são promovidas longe dos familiares dos que a fazem, o que os deixa totalmente indefesos sob o efeito alucinógeno e entregues à própria sorte. Portanto, nesta data é preciso refletir sobre a necessidade de cuidados com sangue e de se usar preservativos sexuais. Além disso, é preciso que autoridades e familiares de usuários da droga encontrem um meio de impedir quando nada o uso compartilhado de agulhas e seringas até o dia em que a humanidade possa banir a cocaína do consumo humano. A associação dos males da droga com o risco de contaminação pela Aids é uma dupla explosiva