Editoriais
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010, 20h:40
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A floresta agoniza
Mato Grosso sempre se destaca no setor produtivo, mas nem toda boa classificação nesta área é motivo para comemoração e, em alguns casos, serve de alerta quanto à relação do homem com o meio ambiente. Ontem, o IBGE divulgou a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura de 2009, na qual Mato Grosso figura em segundo lugar nacional na produção de toras, atividade que naquele exercício movimentou R$ 13,6 bilhões no Brasil, considerando as árvores derrubadas pelo extrativismo e a silvicultura, porém sem computar o montante oriundo dos elos de sua cadeia produtiva passando pelas diversas fases do beneficiamento dessa madeira, industrialização com modelos para destinação plural e a comercialização de seus produtos. O Pará respondeu por 39,2% das toras retiradas das florestas, que medidas resultaram em 5.975.969 m³. Mato Grosso é o vice-campeão com 3.920.627 m³ ou 25,7% dessa atividade. Além do incômodo lugar ocupado pela economia extrativista que alimenta a indústria florestal de base mato-grossense, o município de Juara produziu 122.159.595 m³ o equivalente a 4,5% da produção brasileira. Os números do desmatamento e da movimentação financeira são suficientemente fortes para mobilizar autoridades, entidades representativas e a população de modo geral em busca de informações claras e sem rodeios sobre o que se passa no setor extrativista mato-grossense, para que medidas práticas sejam tomadas, antes que seja tarde demais enfrentar o desmatamento. A Floresta Amazônica sofre ataques por todos os lados por parte dos prepostos dos grandes grupos que lucram com a derrubada da mata. A atividade bilionária do desmatamento é crime contra o meio ambiente atingindo a flora, fauna e, sobretudo o homem, que é a figura central do universo. No entanto, o estado em todas as suas esferas se mostra impotente para impedi-lo. Quantos planos de manejo florestal existem no município de Juara? Qual a área global desses planos? Qual o cenário real do desmatamento legal e o que há de atividade madeireira ilegal e clandestina naquele município e em Mato Grosso de modo geral? Esses questionamentos precisam servir de base para ações governamentais e a reação social ao desmatamento que se revela descontrolado, a julgar pelos números do IBGE, que seguramente não traduzem toda a movimentação madeireira. Não será fácil obter tais respostas. De igual, será difícil o desencadeamento de uma cruzada compartilhada pelo estado com a população contra o desmatamento. O cenário favorece aos que derrubam a floresta e o poderio econômico dos grandes vilões ambientais cria capa de impunidade que os blinda contra as ditas punições legais. Enquanto houver floresta para se derrubar Mato Grosso permanecerá nos primeiros lugares entre os desmatadores. É preciso reverter essa situação agora, para evitar que a extração de toras cesse por falta de matéria-prima, situação que pode ser entendida como princípio do fim da presença humana no território mato-grossense. Enquanto houver floresta para se derrubar Mato Grosso permanecerá nos primeiros lugares