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Editoriais
Terça-feira, 02 de Junho de 2015, 21h:12

A Fifa e o futuro

O suíço Joseph Blatter, renunciou ontem ao comando da Fifa. Uma tentativa de salvar a principal entidade do futebol mundial, após a eclosão do rumoroso escândalo de corrupção que pesa sobre os dirigentes do futebol mundial. Na semana passada, após as primeiras prisões, Blatter, foi eleito, como esperado, para um quinto mandato à frente da entidade, em Zurique. A vitória não foi tão esmagadora quanto nas eleições anteriores. O candidato de oposição, o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein, 39 anos, chegou a forçar um segundo turno, o que não acontecia desde 1974, mas acabou se retirando da disputa. Por um mandato de mais quatro anos, Blatter conseguiu 133 dos 140 votos necessários para ser eleito diretamente, contra 73 de Al Hussein, e três votos nulos (as 209 federações da entidade tinham direito a um voto cada). O resultado mostrou que o poderoso chefão do futebol mundial – Blatter comanda a Fifa desde 1998 – está sendo mais questionado dentro da entidade, abalada com a detenção de sete altos dirigentes, entre eles dois vice-presidentes e o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF. Ontem, Blatter sucumbiu à dura realidade e anunciou a sua renúncia após uma eleição extraordinária, a ser realizada o mais rápido possível. A Federação Internacional de Futebol, mais conhecida pelo acrônimo Fifa. Trata-se, como é sobejamente conhecido, de uma das organizações privadas mais influentes da atualidade, por gerir o esporte mais popular do planeta e reunir associações, ligas, clubes, atletas, árbitros e dirigentes de todos os continentes. Blatter renuncia no momento mais delicado da história centenária da entidade, em meio a um escândalo de corrupção que já levou à prisão oito de seus principais integrantes. A Fifa é poderosa demais, lida com quantias fabulosas de recursos e não presta contas a ninguém, a não ser aos seus próprios acólitos, invariavelmente participantes do jogo de interesses pessoais e políticos desenvolvido longe dos olhos do público. Por isso, Blatter teve que renunciar com oposição declarada da poderosa União Europeia de Futebol (Uefa), que pediu sua renúncia por meio de seu presidente, o ex-jogador Michel Platini. Agora, o grande desafio da Fifa será manter íntegra a entidade e recuperar sua credibilidade, atingida fortemente pela investigação que apurou desvios de milhões de dólares em propinas na relação com patrocinadores e na definição de sedes das duas próximas Copas do Mundo. Mais do que nunca, a Fifa terá que fazer uso de seu próprio slogan para as competições que promove e jogar realmente limpo, dando transparência às suas ações, submetendo-se a auditorias externas e devolvendo ao futebol o encanto que os dirigentes desonestos vêm roubando reiteradamente. O grande desafio de Joseph Blatter será manter íntegra a entidade e recuperar sua credibilidade

Edição EDIÇÃO 16967




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