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Editoriais
Quarta-feira, 07 de Novembro de 2012, 20h:56

A eleição americana

A indiferença dos candidatos à presidência dos EUA em relação à América do Sul, que mereceu apenas referências superficiais durante a campanha, transforma as futuras relações com a região e o Brasil num grande ponto de interrogação. Mas, com a reeleição de Barack Obama, o que se espera é que, ainda em meio aos efeitos da crise iniciada em 2008, o governo americano se revele capaz de interferir nas tentativas de recuperação do vigor econômico e político do país. A preservação do protagonismo americano, ao lado de potências europeias, é do interesse brasileiro e da grande maioria das nações, pela importância das suas referências como modelo de ousadia, inovação e, principalmente, de democracia. Observações de especialistas têm mostrado que tanto o democrata eleito e o republicano Mitt Romney derrotado convergem na indiferença em relação à região. O Brasil e seus vizinhos não mereceram atenção em decorrência de vários fatores. Primeiro, porque as questões externas não conseguiram competir, na apresentação de propostas, com a concentração de prioridades aos assuntos internos, como a desorganização da economia e o desemprego. Para Barack Obama, mesmo as hostilidades em relação a alguns governos latinos, como as que se mantêm com a Venezuela e o Equador, não são relevantes diante das interferências em antigos e novos conflitos, como os que envolvem Irã, Afeganistão, Iraque e Síria. Há consenso entre os observadores de que temores econômicos concretos, como os representados pelas relações com a China, empurram para segundo plano as especulações sobre o que significa para a AL a reeleição de Obama. O que se sabe é que o presidente reeleito tem admiração especial pelo Brasil, o que não se traduziu até agora em vantagens palpáveis para o país. O certo é que republicanos e democratas, em diferentes períodos, praticaram políticas protecionistas na Casa Branca. Por isso, são controversas as avaliações de quem, afinal, pode ser mais favorável ao Brasil quando está no poder. Pontualmente, o que se espera é que nossos cidadãos sejam dispensados, num futuro próximo, conforme promessa do atual governo americano, do visto de entrada nos EUA. Historicamente, os entraves são bem mais amplos. Há restrições a produtos agrícolas, suco de laranja, etanol e, agora, a aeronaves da Embraer, enquanto os americanos reclamam de barreiras brasileiras com o recente aumento das tarifas de importação de vários produtos. Política e diplomaticamente, o que está implícito, pelo governo Obama, é o reconhecimento da liderança que o Brasil vem fortalecendo na região. Mesmo que não tenham expressado publicamente tal posição, o presidente norte-americano sabe que qualquer movimento na América Latina depende do papel estratégico do país. Para além das pautas nacionais, o que se espera – como parte da expectativa mundial – é que o poder relativo dos EUA, abalado nas últimas décadas, tenha o mérito de reduzir visões unilaterais e de ampliar o multilateralismo. O que se sabe é que o presidente reeleito tem admiração especial pelo Brasil, o que não se traduziu até agora em vantagens palpáveis para o país

Edição EDIÇÃO 16960




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