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Editoriais
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008, 20h:32

A dependência do gás

A crise boliviana, com seus efeitos sobre a exportação de gás para o Brasil, expõe a precariedade dos esquemas de abastecimento desse combustível em nosso país. Recebemos dessa nação tumultuada por divergências políticas cerca de 50% do gás que consumimos. Isso representa 31 milhões de metros cúbicos de gás por dia, que chegam pelo gigantesco gasoduto construído na década passada entre a Bolívia e o sul do Brasil, passando pelo Centro-Oeste e o Sudeste, além do ramal exclusivo que traz gás até a Usina Termelétrica Mário Covas, em Cuiabá. Em razão desse investimento, centenas de empresas mudaram sua matriz energética para utilizar gás, em vez das fontes que anteriormente utilizavam, como carvão, eletricidade, óleo etc. No caso específico de Cuiabá, muitos motoristas, principalmente taxistas, passaram a ter seus veículos usando o gás natural como combustível. Com a chegada de Evo Morales ao poder na Bolívia, em 2006, essa opção brasileira passou a ser vista com reservas, exatamente porque, primeiro, houve a encampação das instalações da Petrobras naquele país e as condições dos contratos existentes foram rejeitadas. E agora, um levante nos departamentos produtores de gás coloca sob severa ameaça o abastecimento ao Brasil. A histórica instabilidade boliviana passa a ter também reflexos diretos sobre nosso país. Não fomos suficientemente previdentes ao colocar tão importantes interesses econômicos na dependência dos humores de um único fornecedor de gás. E a correção dessa imprevidência não está sendo suficientemente célere. Quando ocorreu a nacionalização das operações da Petrobras na Bolívia, há dois anos, nossa estatal elaborou um plano, o Plangás, que previa elevar de 15,8 milhões de metros cúbicos diários produzidos no Brasil para 40 milhões até fins de 2008. Pois o Plangás (Plano de Antecipação da Produção de Gás) está com seu cronograma atrasado, o que significará, segundo os especialistas, que, pelo menos nos próximos cinco anos, continuará nossa dependência em relação ao gás da Bolívia. A ampliação de nossa produção de gás não tem atendido mais que ao aumento da demanda interna. Governo federal, Petrobras e indústrias privadas estão desafiadas a buscar soluções urgentes e factíveis para que se reduzam os efeitos dessa situação. Quem conhece minimamente a história política boliviana, que é mais turbulenta que sua geografia, sabe que a necessária estabilidade e a segurança jurídica não são propriamente características desse país. Infelizmente. “Estabilidade e a segurança jurídica não são propriamente características da Bolívia”

Edição EDIÇÃO 16961




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