NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

Editoriais
Quarta-feira, 02 de Maio de 2007, 21h:35

A cultura da esperteza

A prisão de membros de uma quadrilha, no Rio de Janeiro e no Ceará, especializada em fraudar exames vestibulares em diferentes Estados e em negociar transferência de universidades particulares para federais reforça a impressão de uma criminalidade cada vez mais atuante. Ao mesmo tempo, o episódio volta a chamar a atenção para o crescente envolvimento de autoridades de alto escalão e de pessoas de elevado grau cultural e econômico com criminosos. A constatação é de que o crime, sob diferentes formas, já não se limita a manter a sociedade sob medo constante e a se apropriar de recursos públicos destinados a quem mais precisa, mas se banaliza sob a forma de uma ampla degeneração de valores, o que é particularmente inquietante. No caso específico, a fraude foi concebida por pessoas interessadas em ganhar dinheiro assegurando ingresso em universidades públicas e privadas por meio fraudulento. A esperteza, portanto, seria fadada ao fracasso se, do outro lado, não estivessem alunos destacados em cursos pré-vestibulares ou acadêmicos bem-sucedidos dispostos a ganhar dinheiro fazendo-se passar por candidatos a universitários. Tampouco iria além se pretendentes a cursos concorridos e de elevada responsabilidade social, como Medicina e Odontologia, não se mostrassem dispostos a pagar para assegurar uma vaga, ao invés de estudar, na maioria das vezes sob a leniência ou a conivência de seus pais. Se até mesmo as elites culturais, formadas por parcela ínfima da população, tentam se encaminhar para a vida acadêmica de forma fraudulenta, a impressão que fica, e precisa ser desfeita, é a de que é mesmo difícil reduzir os níveis de desvios éticos no país. Os organismos policiais, portanto, cumprem um papel importante no momento em que começam a desmascarar e punir líderes dessa atividade criminosa, com tentáculos que vinham se estendendo por boa parte do país. A sociedade, porém, precisa fazer sua parte, a começar por um ‘meaculpa’, pois segmentos dela, de maneira sistemática ou eventual, acabam colaborando de alguma forma para a manutenção desse tipo de prática, inclusive quando faz simplesmente de conta que não está vendo nada. O país precisa dizer um basta a essa verdadeira cultura da desonestidade. O combate a práticas do gênero exige atuação firme das instituições, como a que está sendo demonstrada na operação batizada de Vaga Certa pela Polícia Federal. Ainda assim, o melhor é sempre prevenir esse tipo de ocorrência. A saída inclui sistemas de controle rigorosos e uma mudança comportamental capaz de levar ao resgate de valores que se perderam de forma acelerada, principalmente entre as faixas mais jovens da população. A missão, complexa, envolve a família e a escola, que precisam ter seu papel valorizado. “O país precisa dizer um basta a essa verdadeira cultura da desonestidade”

Edição EDIÇÃO 16965




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL