ECONOMIA
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009, 20h:21
A
A
ÁLCOOL
Valor de bomba chega a R$ 1,29 em Cuiabá e VG
Postos promovem mais uma edição da guerra de preços. Recuo é de 13%
MARIANNA PERES
Da Editoria
A semana vai fechando em Cuiabá e Várzea Grande com mais uma baixa sobre os preços do álcool hidratado e da gasolina. Mais uma vez, o derivado da cana apresenta a maior redução e ontem, depois de baixas sucessivas há várias semanas, atingiu de forma generalizada pelos postos a marca de R$ 1,29. Já a gasolina, teve redução de R$ 0,01, passando de R$ 2,45 para R$ 2,44. Com o novo valor de bomba o álcool acumula de abril até agora queda de 13,42%, considerando que naquele mês o preço ao consumidor chegou a R$ 1,49 e agora reduzido a R$ 1,29. Com a gasolina a redução se estabilizou desde meados de abril, quando saiu de em média R$ 2,69, para R$ 2,59 e em seguida R$ 2,49. A gradativa diminuição revela queda nos preços de 9,29%. O superintende do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool), Jorge dos Santos, frisa que neste início de safra é comum as usinas aumentarem o volume de vendas para fazer capital depois do período de entressafra. Somos de um segmento que quando há qualquer barateamento sobre o nosso produto, costumamos repassá-lo para o elo seguinte da cadeia (distribuidora), reforça. Atualmente, o álcool hidratado sai das usinas a R$ 0,61. Para o Sindicato do Comércio Varejista de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo), as baixas de preços revelam dois problemas enfrentados pelo segmento: a concorrência desleal e as consequências das liminares judiciais que vigoram sobre alguns postos e que exigem o cumprimento de um teto de margem de lucro de até 20%, desde o final de 2006. O posto de bandeira branca consegue comprar de qualquer distribuidora, vai naquela que oferta o preço mais baixo e isso repercute na bomba. Já os bandeirados, fiéis a uma marca apenas, compram o álcool com maior valor, porém, não podem revender sob o teto de 20%, porque esses 20%, deixam ainda o preço ao consumidor mais caro se comparado àquele do bandeira branca e é isso que força a essa guerra de preços que corre desenfreada nos postos de Cuiabá e Várzea Grande, explica o primeiro-secretário, Bruno Borges. No segmento, postos bandeirados são aqueles que trabalham apenas com uma marca, uma distribuidora. Os de bandeira branca, são aqueles que estão livres para comprar da distribuidora que lhe melhor lhe convier. Para o Ministério Público Estadual (MPE) as baixas nos preços destes dois combustíveis não podem ser classificadas como promoções, porque a instituição entende que promoção é um ato voluntário de empresários. No caso dos combustíveis em Cuiabá e consequentemente em Várzea Grande, o que ocorre é a banalização do termo promoção. O que ocorre no mercado atualmente é apenas efeito da concorrência, quem pode vende mais barato e os outros postos seguem para não perder espaço no mercado. As investigações que embasam os mais de 20 pedidos de liminares que foram protocolados contra postos que adotam margens abusivas, revela que a redução do preço acontece porque o posto pode e é graças às liminares, que o consumidor, nestes últimos dois anos, está encontrando preços distintos. Ontem, por exemplo, enquanto alguns postos exibiam valor de bomba a R$ 1,29, havia posto ainda com o litro do hidratado a R$ 1,34. O óleo diesel, mesmo sem liminar determinando percentual de margem, também apresenta diferenças significativas de preços que chegam a R$ 0,19. Um posto na Avenida 31 de Março, em Várzea Grande, vende o litro do óleo (à vista, em dinheiro) a R$ 2,23. Já outro revendedor na Avenida Miguel Sutil, tem como preço de bomba, R$ 2,42. Isso é a liberdade do mercado, frisa o Ministério Público.