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ECONOMIA
Terça-feira, 13 de Maio de 2008, 20h:26

EFEITO MORALES

Usina volta a parar

Desligamento das turbinas segue determinação do CMSE. Sem gerar, sistema elétrico da Baixada perde confiabilidade

MARIANNA PERES
Da Editoria
Há uma semana, as turbinas da usina térmica de Cuiabá estão desligadas. A interrupção na geração de energia, que vinha sendo produzida por meio da queima do óleo combustível, foi determinada no último dia 6 pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que decidiu ordenar a desativação de todas as usinas termelétricas movidas a diesel ou óleo combustível. Há 35 dias, a operadora da usina retomava a geração, depois de mais de sete meses parada, em decorrência da suspensão no fornecimento de gás natural, uma imposição do governo boliviano. Conforme o diretor de Assuntos Comerciais, Institucionais e Regulatórios da Empresa Produtora de Energia (EPE) – a operadora da termelétrica, Fabio Garcia, no dia seguinte ao anúncio do CMSE, a planta de Cuiabá teve sua geração novamente suspensa. “Sem dúvida, o sistema energético estadual perde confiabilidade, principalmente a Baixada Cuiabana”, aponta. Garcia explica que o foco das ações da empresa e de seus acionistas é retomar o suprimento de gás natural – matriz mais barata e ambientalmente correta – com a celebração de um novo contrato de compra e venda do insumo, junto ao governo boliviano. Ele lembra que há dois anos o presidente da Bolívia, Evo Morales, decretou a nacionalização dos derivados de petróleo, suspendendo os contratos de venda de gás que estavam em vigência com o mercado externo, e que desde então, a EPE vem mantendo conversas com as autoridades do setor no país vizinho, conversas que passaram a ser mais contundentes desde dezembro de 2006. “Mesmo gerando com óleo combustível, que foi uma retomada emergencial, nunca perdemos o nosso foco. As conversas com o governo vizinho existem, mas ainda não há novidades em relação às tratativas que tentam ser estabelecidas entre as duas partes”. l Garcia aponta ainda que a desativação da usina torne o Estado “frágil’ em relação às outras unidades federativas e até mesmo em relação a outros países. “Mato Grosso, que passa a ter seu sistema elétrico suscetível, é um dos poucos do mundo que oferta matriz energética hídrica e térmica, esse, é o grande diferencial do nosso Estado”. O diretor explica ainda, que a térmica com capacidade de gerar até 520 megawatts (mW) consegue suprir até 70% da demanda estadual, quando em operação. “Mato Grosso conta com dois sistemas: o hídrico que fornece energia a custo baixo e o térmico, que garante confiabilidade e suporte sob qualquer condição. Mato Grosso alia essas duas matrizes”. CEMAT – A determinação do governo federal, por meio do CMSE, se baseia na recuperação dos níveis hídricos do país, que garante reservas seguras ao país. De acordo com a concessionária local de energia, a Cemat, além dos níveis hídricos em segurança, a Eletronorte colocou em operação mais uma unidade de transformação (de 100 MVA) na subestação do Coxipó, de sua propriedade. “Com isso, houve o reforço para o sistema e podemos afirmar que há tranqüilidade no momento”. A subestação contava com três transformadores de 100 MVA e outro de 55 MVA. Com a operação do novo equipamento a Eletronorte passou a ter na Subestação uma capacidade de transformação total de 455 MVA, o que representa um aumento de 28%. GERAÇÃO - Reativada por meio da utilização do óleo combustível – uma versão diferenciada do diesel - a planta gerou nos últimos 35 dias uma média de 190 mW, volume suficiente para assegurar a confiabilidade do sistema elétrico estadual, sobretudo da Baixada Cuiabana. Na resolução que estabeleceu as regras para utilização do diesel, a planta poderia gerar até 390 mW e por um período de até 120 dias, conforme regulamentou a portaria 31/2008, do Ministério de Minas e Energia, com anuência do CMSE, deliberada em janeiro deste ano. O ‘caráter excepcional’ alterou a rotina da planta, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá, saíram os cerca de 1,1 mil metros cúbicos de gás natural – volume que havia sido acordado em meados do ano passado entre a operadora da térmica e o governo boliviano – para dar espaço a cerca de 45 carretas diárias que abastecem a demanda de 1,9 mil metros cúbicos de óleo por dia.

Edição EDIÇÃO 16962




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