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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 07 de Dezembro de 2013, 12h:21

FAZENDA BOI GORDO

Uma dezena de bens em MT

Amanha vão a leilão a primeira das oito fazendas, cinco lotes e bens pertencentes à massa falida

MARIANNA PERES
Da Editoria
A Fazenda Buriti, situada no município de Chapada dos Guimarães (60 quilômetros de Cuiabá), de propriedade da massa falida da Fazendas Reunidas Boi Gordo, será leiloada amanhã. O lance inicial da propriedade de 1.085 hectares será de R$ 11 milhões. A propriedade não apenas retoma a série de leilões após a decretação de falência da Boi Gordo, em 2004, como encabeça a venda de mais de uma dezena de bens imóveis e móveis que o grupo matinha no Estado e agora pertencem à massa falida. Os bens com avaliação prévia e sob estudos somam oito fazendas, cinco lotes urbanos e bens móveis, em geral equipamentos de quatro fazendas no interior do Estado (Eldorado, Manacá, Buriti e Chaparral). Conforme informações repassadas pelo síndico da massa falida, Gustavo Henrique Sauer de Arruda Pinto, via assessoria, irão a leilão além da Buriti, a fazenda Santa Cruz, em Barra do Bugres, a fazenda Chaparral, em Lambari D´Oeste, a fazenda Vale do Sol I, em Salto do Céu, a fazenda Manacá, em Chapada dos Guimarães, a fazenda Aguapeí, em Porto Esperidião, a fazenda Apiacás, em Apiacás e a fazenda Realeza do Guaporé I e I, cuja localização não foi confirmada. Fora a Buriti, nenhuma das outras sete tem data definida para o certame. Entre as que possuem avaliação prévia, quatro das oito, a de maior valor atinge quase R$ 27 milhões, que é a fazenda a fazenda Aguapeí, em Porto Esperidião. Integram a relação de bens em Mato Grosso cinco imóveis urbanos, sendo três deles em Mirassol D´Oeste, avaliados em R$ 336 mil e dois lotes em Comodoro, antiga sede da Fazenda Reunidas Boi Gordo, ainda sem avaliação. A lista de bens móveis contém equipamentos e implementos das fazendas Eldorado, Manacá, Buriti e Chaparral, todos sem avaliação e nem data definidas. RETOMADA – Conforme Arruda Pinto, advogado nomeado pelo juiz para conduzir o processo de falência e síndico da massa falida, a expectativa é de que o sucesso obtido nos leilões realizados em 2011 se repita. "Naquele ano, as fazendas foram vendidas com ágio de até 70%", comenta. "Considerando que o preço da terra sofreu, desde então, uma valorização, devido à alta sobre o preço das commodities, a nossa expectativa por bons resultados é muito grande". A realização do leilão da Buriti, após dois anos dos últimos realizados em 2011, marca o retorno dos leilões depois de superados os problemas que levaram à suspensão do andamento da falência. Outros leilões estão programados para ocorrer no começo de 2014, quando deverão ser colocadas à venda outras seis fazendas da massa falida, avaliadas em cerca de R$ 80 milhões. O dinheiro obtido com a venda das fazendas será utilizado para o pagamento dos credores das empresas falidas do grupo Boi Gordo. As condições de pagamento constam do edital do leilão no site da massa falida www.massafalidaboigordo.com.br e do processo de falência que tramita na 1ª Vara Cível do Foro Central da Capital. A FALÊNCIA - A Boi Gordo se afundou com dívidas de R$ 2,2 bilhões. Os quase 30 mil investidores conseguirão reaver apenas uma parte do dinheiro que aplicaram. Atualmente, a massa falida tem em caixa aproximadamente R$ 50 milhões como produto do arrendamento de propriedades e da venda de outras fazendas. Com a venda das demais propriedades, estima-se que se possa obter um valor superior a R$ 400 milhões. Os credores trabalhistas e fiscais têm preferência no pagamento e possuem créditos que podem superar R$ 150 milhões. O pagamento dos credores trabalhistas deverá ser feito no primeiro semestre de 2014 e dos demais credores após os próximos leilões, em percentual, maior ou menor. Isso dependerá do valor que vier a ser arrecadado com a venda das fazendas remanescentes e não deverá ocorrer antes de 2015. A empresa administrada por Paulo Roberto de Andrade oferecia aos investidores contratos de investimento que prometiam retorno de 42% em 18 meses. Os ganhos viriam tanto da engorda do boi para abate quanto do crescimento de bezerros. Mais tarde descobriu-se que a empresa funcionava como uma pirâmide, pagando os contratos vencidos com o dinheiro da entrada de novos investidores. Os rendimentos oferecidos não refletiam o lucro com a atividade pecuária. Quando os saques superaram os investimentos, a pirâmide desmoronou. A notícia de que o negócio não ia bem se espalhou e milhares de clientes resgataram o dinheiro. A Boi Gordo declarou ter 100 mil cabeças de gado no pasto, mas deveria ter pelo menos dez vezes mais, de acordo com os valores recebidos dos investidores. A situação ficou insustentável e, em 2001, entrou em concordata e foi vendida para os grupos Golin e Sperafico no final de 2003, tendo a falência decretada pela Justiça em 2004 e os seus efeitos estendidos para as demais empresas do grupo e para o seu administrador em 2006.

Edição EDIÇÃO 16968




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