ECONOMIA
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007, 21h:04
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PORTA A PORTA - I
Um mundo milionário
Vendas via catálogos geram cifras inimagináveis e milhares de empregos no Estado e no Brasil
PAULA PERES
Especial para o Diário
Com uma renda líquida mensal em torno de R$ 6,6 mil, a futura diretora-executiva da linha norte-americana de cosméticos Mary Kay, em Mato Grosso, Isanne Rosa, é apenas uma entre milhares de pessoas Brasil afora que estão transformando a antiga venda porta a porta em um negócio empreendedor e lucrativo. Mesmo sendo pouco conhecida entre os mato-grossenses, a Mary Kay marca que figura entre as líderes do segmento nos Estados Unidos -, proporciona à Isanne lucros que chegam a 40% do valor total conseguido com a venda direta dos produtos oferecidos via catálogo e com a comissão sobre o valor comercializado pela equipe de consultoras que orienta. Ela diz não ganhar mais por falta de tempo. Economista por formação, administra, atualmente, uma loja de informática junto com o marido. Se eu trabalhasse apenas com a revenda dos produtos ganharia muito mais, destaca. Mas a futura diretora-executiva não está só. De acordo com os últimos dados disponibilizados pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), no primeiro trimestre de 2007, com a comercialização de 287 milhões de produtos, o setor de vendas diretas movimentou R$ 3,2 bilhões em todo o Brasil. Esse montante comprova o crescimento de 10,5% em cifras e de 7,3% no volume de itens vendidos no mesmo período de 2006 que registrou faturamento de R$ 2,9 bilhões em razão da compra de 270 milhões de unidades. Nem o comércio varejista obteve percentual semelhante no país. Segundo informações reveladas pelo Indicador Serasa de Atividade do Comércio, este setor registra crescimento de 7,9% no faturamento de janeiro a março deste ano. Já o número de revendedores e consultores existentes no Brasil, a ABEVD não informa. Visando às oportunidades geradas por esse novo filão da economia, surgido com a melhoria do poder de compra dos brasileiros, está Suzana da Silva Ponciano. Desempenhando duas funções distintas auxiliar de panificação e de serviços gerais -, ela arranja um tempinho para revender os mais variados produtos da empresa fluminense Hermes, tanto no local de trabalho quanto nas redondezas de sua residência. Eu comprava os produtos de uma amiga minha. Há mais ou menos quatro anos, decidi pegar os catálogos e oferecer, eu mesma, para conhecidos, relembra. Atualmente, Suzana tem 30 clientes fiéis e outros tantos que não sabe quantificar. A renda conseguida por meio da venda direta, algo em torno de R$ 200, completa a renda mensal da família que não ultrapassa R$ 1,1 mil. Em busca do incremento nas finanças, a funcionária pública Arali Sulek Vieira revende, há mais de quatro anos, produtos cosméticos e não-cosméticos oferecidos pela Avon. Desempenhando a função no órgão público desde 2002, ela recebe pouco mais de um salário mínimo. O trabalho extra lhe assegura uma comissão que varia entre R$ 150 e R$ 200 ao término de cada mês e que auxilia no pagamento das despesas domésticas.