ECONOMIA
Sábado, 06 de Setembro de 2008, 10h:17
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CARTÃO DE CRÉDITO
Transações de R$ 350 mi
Cifras representam movimentação mensal no Estado. Modalidade começa a cair no gosto dos lojistas
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O endividamento do mato-grossense com cartões de crédito atinge a cifra mensal de R$ 350 milhões, segundo levantamento das administradoras. Só a VisaNet, que concentra mais de 70% de toda a movimentação com cartões em Mato Grosso, o volume das compras chega a R$ 250 milhões. A forma de pagamento mais utilizada pelos consumidores é o parcelamento em seis parcelas. Em alguns pontos de venda o valor médio das vendas aumentou mais de 200%. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá e Várzea Grande, Roberto Peron, as vendas pela VisaNet aumentaram 47% em Mato Grosso. Atualmente, 90% das empresas comerciais trabalham com cartões. É uma tendência irreversível, comenta. Ainda assim, ele acha que o volume de compras por meio do cartão ainda é pequeno. Nos Estados Unidos, por exemplo, 60% de todas as transações no varejo são realizadas por meio de cartões. No Brasil, a previsão para este ano é de que este índice não chegue a 40%, compara. O cartão de crédito, ou dinheiro de plástico, é visto como solução no comércio para fugir dos cheques sem fundo. É vantajoso para o lojista porque o risco de inadimplência é zero, o que compensa até pagar as taxas às administradoras", ressalta Perón, ao comparar a modalidade de crédito com o cheque pré-datado. As taxas variam de 3% a 5%, dependo da modalidade, débito ou crédito. Segundo ele, pagar pequenos valores com cartão de crédito já não constrange mais o consumidor e não há nada que deixe as administradoras de cartões mais contentes do que isso. Elas querem que o consumidor incorpore no seu cotidiano o hábito de pagar o pãozinho de sal e a meia-entrada para a sessão de cinema com o cartão. Não recuso uma venda de chocolate no cartão. Desde que coloquei máquinas eletrônicas da Visanet e Redecard, a pedido dos próprios clientes, só tenho a comemorar porque as vendas aumentaram", conta o gerente de uma loja de conveniências da Avenida Rubens de Mendonça, Saturnino Alves. Lembra que enquanto o tíquete médio de vendas à vista, em dinheiro era R$ 3,50, agora via cartão chega a R$ 12, alta de R$ 242,85%. As pessoas evitam moedas e notas na carteira por uma questão de segurança. No final das contas, também consomem mais com cartão", destacou. Segundo o empresário, a concorrência também ajuda. Quando meu concorrente passou operar com a maquineta, tive de aderir também para não perder venda. Hoje aceito o cartão da mesma forma, mesmo tendo de arcar com as taxas administrativas cobradas pelas empresas de cartão", reforça Alves. Enquanto outras modalidades de pagamento como cheques pré-datados e duplicatas perdem espaço no comércio, o crescimento do cartão começa a ser cada vez maior em Mato Grosso. De acordo com a última sondagem empresarial realizada pela Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT), os cartões de crédito já representam 25% das vendas. As compras à vista representam 27%, enquanto o crediário/duplicata fica com 25% e o cheque pré-datado, 23%. Para Roberto Peron, a ascendência do cartão é forte e deverá alcançar os pequenos estabelecimentos a uma velocidade cada vez maior. Em vários países usa-se o dinheiro de plástico até para se comprar um simples jornal na banca. Hoje, cartão já tem penetração maior nas classes de menor poder aquisitivo, o que não ocorria antes", observou. (Veja mais na página C2)