ECONOMIA
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009, 07h:37
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Trabalhadores apostam em mais contratações a partir da mudança
A redução, de 44 para 40 horas semanais, da jornada de trabalho, deverá estimular a contratação de mais trabalhadores. Na avaliação de entidades laborais de Mato Grosso, a diminuição das horas semanais trabalhadas é fundamental para o aumento da geração de empregos nas empresas e para o aumento da produtividade. A última redução do período semanal de trabalho ocorrida no país foi na Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Comerciários de Cuiabá e Várzea Grande, Saulo Silva, a proposta que deverá ir à votação nos próximos dias na Câmara dos Deputados, é uma antiga aspiração da categoria. O trabalhador vai trabalhar menos e ganhar o mesmo salário. Vemos a mudança como um avanço, avalia. Silva entende que, ao invés de aumentar o adicional de hora extra de 50% para 75%, o governo federal deveria criar mecanismos para incentivar o aumento das contratações. Para nós, é mais importante criar um emprego do que aumentar o percentual das horas extras, afirmou Silva, lembrando que a convenção coletiva local já prevê o pagamento de adicional de 70%. O comércio mato-grossense emprega atualmente cerca de 220 mil trabalhadores no Estado, sendo cerca de 40 mil só na região da Grande Cuiabá. Joaquim Dias Santana, presidente Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Cuiabá, também apóia a aprovação da proposta de redução da jornada. Sem dúvida, a medida irá propiciar a geração de novos empregos, disse ele. Em Mato Grosso, o setor da construção civil emprega cerca de 30 mil trabalhadores. Santana afirmou que a jornada na indústria da construção é de 44 horas semanais, porém, o trabalhador sempre faz pelo menos duas horas extras por dia. Ele acredita que, reduzindo a jornada de trabalho, as empresas serão obrigadas a criar mais um turno de serviço, abrindo novas vagas nos canteiros de obra. De acordo com a Força Sindical, no ano passado os trabalhadores da área farmacêutica foram a primeira categoria a reduzir coletivamente a jornada de trabalho, que caiu para 36 horas semanais, a exemplo do que já ocorre em alguns setores da indústria, cujas atividades exigem longos intervalos de folga. Segundo cálculos da entidade, a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas permitirá a geração de dois milhões de empregos, com elevação de 1,9% no custo das folhas de pagamento. CARTA - Na próxima terça-feira, as centrais sindicais CUT, CGTB, CTB, Força, NCST e UGT entregarão uma carta aos parlamentares, na Câmara Federal, em Brasília, mostrando a importância da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário. Neste dia, a Comissão Especial que trata do tema irá votar o relatório favorável ao projeto, apresentado pelo deputado Vicentinho (PT-SP). "Face aos desafios colocados pela crise econômica mundial e a urgente necessidade de defender os empregos e os salários dos trabalhadores e trabalhadoras, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 393/2001 é imprescindível", destaca o manifesto. Na avaliação do presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, "os lucros acumulados pelos setores econômicos, bem como as altas taxas de produtividade registradas nos últimos anos, criam larga margem para a redução da jornada e a proteção dos salários sem qualquer prejuízo à competitividade ou perdas econômicas dos empregadores, como alegam alguns conservadores". (MM)