Evo Morales disputou a Presidência prometendo nacionalizar a exploração do petróleo em todas as suas fases. Cumpriu a palavra ao pé da letra. Morales foi além: redirecionou a venda do gás natural de acordo com seus interesses geopolíticos. Essa manobra acertou em cheio a capacidade mato-grossense de gerar energia. Resumo: deixou a Termelétrica Mário Covas, em Cuiabá, sem gás. Ao assumir o poder em janeiro de 2006, Morales deu um chega pra lá em Mato Grosso: numa canetada, aumentou em 253% o preço do gás para a Mário Covas, saltando de US$ 1,19 para US$ 4,20 a unidade térmica britânica (BTU sigla em inglês), mas não aplicou a mesma dosagem amarga ao BTU vendido à Petrobras e a Buenos Aires. Lula não reagiu. Foi complacente com o colega de Presidência e sindicalismo. A disparada do preço do gás não foi suficiente. Morales mandou cortá-lo gradualmente em agosto do ano passado, rompendo um contrato em vigor desde 1998. O gasoduto para Mato Grosso, com 641 km entre Rio San Miguel e Cuiabá, virou elefante branco enterrado. A Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) produz 38 milhões de BTUs diariamente. Exporta 30 milhões para a Petrobras pelo gasoduto que entra no Brasil por Corumbá (MS) e 5 milhões para a Argentina. O restante, 3 milhões atende parte da demanda interna. Não sobra nada para Mato Grosso e não há indicativo de mudança nessa relação. Sem o gás, a termelétrica está entregue às moscas. Permanece em alerta para eventual funcionamento a diesel sete vezes mais caro, além de poluente em caso necessidade na estiagem. Quando havia gás, a Mário Covas gerava 480 MW na ponta. Sem ela, a capacidade de geração mato-grossense despenca de 1.100 MW para 620 MW. Paralelamente a isso, a Cemat fornece energia para a cidade de San Matias. (EG)