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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 25 de Julho de 2009, 12h:48

CONSTRUÇÃO

Sobras vagas nos canteiros de obras

Maior boom da história do segmento revela lado frágil da atividade: a falta de mão-de-obra especializada, mesmo anunciando salários melhores

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Antes mesmo do início das obras da Copa do Mundo de 2014, em Cuiabá, o setor da construção civil já começa a ter problemas com a falta de trabalhadores para ocupar vagas nos canteiros de obras. Pedreiro, carpinteiro, assentador de piso e azulejo, pintor e até servente são algumas das “especialidades” em falta no mercado. Construtores, engenheiros, proprietários e imobiliaristas são unânimes ao afirmar que o atual momento é o “maior boom da história” da construção civil de Mato Grosso. “As empresas chegaram até mesmo a melhorar os salários dos trabalhadores, em todos os níveis, mas nem assim estão conseguindo preencher todas as vagas nos canteiros”, diz o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção (Sinduscon), Luiz Carlos Richter Fernandes. Casas populares, prédios, condomínios fechados e edifícios verticais estão absorvendo o pouco de trabalhadores disponíveis que ainda resta no mercado. “De fato, passamos a viver uma nova realidade após a confirmação de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Não poderia ser melhor e visualizamos o início de um novo ciclo de crescimento não só para Cuiabá, mas para todo o Estado”, afirma Fernandes. Os empresários apontam que a falta de mão-de-obra na construção civil fez crescer a oferta de salários como forma de atrair os profissionais. Ainda assim, faltam trabalhadores nos canteiros de obra das construtoras. “Tivemos uma recomposição de 7,5% a 10%, mas não foi suficiente para atrair mais trabalhadores aos canteiros. Algumas empresas chegaram a aumentar os salários em até 20% e ainda estão com carência em algumas áreas”. Sem outra saída à vista para resolver o problema da falta de mão-de-obra, a alternativa está sendo formar, treinar e qualificar operários para trabalhar na construção. “Além de formar novos trabalhadores, estamos reciclando os que já trabalham e oferecendo oportunidades também para aqueles que estão trabalhando em outras atividades e queiram ingressar para a construção”. Outra opção tem sido trazer mão-de-obra de outras regiões, mas com pouco resultado para as empresas porque normalmente esses trabalhadores são melhor remunerados. MÉDIO PRAZO - Segundo Fernandes, a tendência é o ritmo das obras se acelerar ainda mais a partir de agora. “A Copa já é uma realidade para nós e precisamos nos preparar para isso, formando, treinando e qualificando mão-de-obra”. O boom imobiliário, na avaliação dos empresários, tem relação com a estagnação vivida pelo setor durante alguns anos, como em 2004 e 2005, devido à crise do agronegócio e a paralisação dos investimentos em diversos setores da atividade econômica. Segundo o presidente do Sinduscon, uma das explicações para a expansão do setor é o crescimento do agronegócio no Estado nos últimos anos, o que acarretou na carência de profissionais qualificados para atuar em diversas áreas, como de acabamento, instalação de pisos e revestimentos, além de carpintaria e eletricidade. “A nossa expectativa é de crescimento maior da construção civil em função dos projetos e obras previstas para os próximos anos”, afirma Fernandes, lembrando que o problema não é só com a mão-de-obra especializada. “Faltam também pedreiros, carpinteiros, eletricistas e encanador para suprir a demanda das construtoras”.

Edição EDIÇÃO 16961




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