ECONOMIA
Sexta-feira, 27 de Julho de 2007, 19h:59
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FIM DA FARRA
Shopping Popular proíbe pirateados
Alvo da decisão é a venda de CDs e DVDs piratas. Comunicado impede a fabricação, comercialização ou simples circulação desses produtos no local
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Em uma decisão surpreendente, a Associação do Shopping Popular dos Camelôs de Cuiabá proibiu ontem a venda de produtos pirateados no local. No shopping existem em funcionamento 390 bancas, das quais 30% (117) comercializavam produtos ilegais. A decisão foi comunicada pela diretoria do shopping, em reunião realizada pela manhã com os proprietários das bancas. Todos [os camelôs] foram comunicados de que se alguém for pego comercializando produtos pirateados, principalmente CDs e DVDs, poderá ter sua banca fechada e ser excluído do quadro de associados, avisa o presidente da associação Misael de Oliveira Galvão. Entre as justificativas para a proibição, ele ressalta que vinha sendo submetido constantemente à investigação policial pela incidência reiterada de comercialização de produtos pirateados por algumas bancas e boxes, atividade ilícita altamente combatida pela nossa associação. Por isso, a entidade decidiu que, a partir de agora fica terminantemente proibida, nas dependências do shopping, a fabricação, comercialização ou simples circulação de produto pirateado, ficando os infratores sujeitos a penalidades, como o fechamento da barraca e expulsão do quadro de associados. De acordo com o comunicado, o associado ou funcionário deste shopping que expor, armazenar, vender ou circular mercadorias como CDs e DVDs pirateados terão sua banca ou box fechado, sendo excluído do quadro de associados desta entidade. O associado que ceder sua banca ou box para terceiros responderá solidariamente pelo mau uso que dela fizer o seu cessionário, frisa Misael Galvão, lembrando que caberá à associação exercer o poder de polícia por meio de seus funcionários, que irão fiscalizar o recinto do Shopping Popular dos Camelôs. Os DVDs piratas, por exemplo, podem ser adquiridos por até três unidades a R$ 10. Mas em geral, cada cópia ilegal custa R$ 5, inclusive lançamentos que nem estrearam no cinema. EMPRESÁRIOS Para o segmento das videolocadoras, a medida é bem-vinda, mas a Associação apenas se antecipou aos problemas, temendo uma nova ação policial no local. O problema da pirataria em Cuiabá já levou donos de videolocadoras a procurar a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal e Ministério Público. Eles chegaram a protocolar documento na Procuradoria Geral de Justiça, relatando os problemas que as lojas do segmento vêm enfrentando por causa da pirataria que invadiu o comércio de CDs e DVDs. Os empresários cobram a ação do poder público para desmantelar a pirataria em Cuiabá. Defendemos um plano de atuação conjunta para desmancharmos este esquema que está afundando as lojas que pagam impostos e geram empregos, afirma a empresária Dalva Grzybowski, uma das representantes da Associação de Videolocadoras de Cuiabá e Várzea Grande. Ela destacou a necessidade de se ter uma atuação mais direta no combate à pirataria. Ela quer que os órgãos ligados à área de segurança pública do Estado, em conjunto com a Polícia Militar, Polícia Civil, Prefeitura, Ministério Público e Associação de Videolocadoras, se unam para combater a pirataria. É possível inibirmos a ação desta máfia em Cuiabá. Basta trabalharmos de forma integrada, diz. FECHAMENTO - Em Cuiabá e Várzea Grande, a pirataria já é responsável pelo fechamento de diversas lojas e pela demissão de 50% dos funcionários do setor. A CVC Vídeo, há 18 anos no mercado, já teve 11 lojas e neste ano fechou duas filiais. A Coxipó Vídeo, há mais de 20 anos no mercado, já teve cinco lojas e também teve que fechar duas. Além disso, inúmeros pequenos empresários tiveram que fechar suas empresas por não conseguir competir com a pirataria e outros estão demitindo funcionários para reduzir custos, tendo em vista a drástica queda da receita, relata.