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ECONOMIA
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009, 20h:29

CAGED

Saldo reage em maio

Depois de dois meses consecutivos demitindo mais trabalhadores do que admitindo Caged fecha positivo, puxado pela construção civil

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O mês de maio registrou um saldo de 773 empregos formais em Mato Grosso, em relação ao estoque de assalariados com carteira assinada em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados ontem. Na prática isso significa dizer que depois de dois meses seguidos – março e abril – o Estado mais contratou do que demitiu, encerrando a seqüência negativa. Apesar da reação, impulsionada pela construção civil, o desempenho mensal de Mato Grosso foi um dos piores do Centro-Oeste. O Caged registrou 27.118 admissões e 26.345 desligamentos, representando um incremento de 0,16% em relação aos números do mês anterior. Somente o Distrito Federal obteve expansão pior, de 0,01%. O percentual mato-grossense ficou abaixo do nacional, que foi de 0,41%. Na contramão, Goiás lidera o ritmo de contrações. Fechou maio com evolução positiva de 0,57% em relação a abril e detém no acumulado dos últimos 12 meses, o melhor volume de contrações da Região, mais de 31,92 mil postos. No ano – janeiro a maio - Mato Grosso acumula um saldo de 7.843 vagas (crescimento de 1,66%), resultado das 136.846 admissões menos os 129.003 desligamentos. Nos últimos doze meses o resultado também é positivo (1,20%), com o número de admissões chegando a 325.271, contra 319.537 desligamentos, saldo de 5.734 vagas. No mês de maio, o setor de atividade que mais contribuiu para este resultado foi o da construção civil (1.084 postos formais), incremento de 3,68% na comparação com abril. Em seguida aparecem os setores de serviços, com 278 vagas (0,22%), indústria extrativa mineral (154) e indústria de transformação (23), incremento de 6,61%. Os setores com os piores resultados foram: comércio (-385 vagas), agropecuária (-329), serviço público (-23) e, administração pública, (-4). Em abril, foi a agropecuária que derrubou o saldo do Caged em Mato Grosso, ao contabilizar déficit de 554 vagas. Na análise da série histórica do Caged para o Estado, comparando os meses de maio de 2003 a 2009, este foi o pior entre os anos de 2007 e 2008, quando o saldo positivo foi de 2.151 mil e 2.882 mil vagas, respectivamente. (Veja quadro ao lado) CONSTRUÇÃO CIVIL – Setor com melhor desempenho em geração de vagas formais no Estado, a construção civil, deverá continuar aquecida até o final do ano em função dos projetos que estão sendo “desengavetados” após a crise de crédito iniciada no último trimestre de 2008 e que se disseminou em todos os setores da atividade econômica. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Luiz Carlos Richter Fernandes, o setor manterá o nível de contratações nos próximos meses em função da aceleração das obras após o período das chuvas. “Além deste fator, notamos que muitas empresas decidiram retomar os projetos que estavam parados por conta da crise de crédito no final do ano passado. Os projetos que estavam na prateleira já estão sendo colocados em prática e a nossa expectativa é de que as obras entrem em um ritmo mais forte a partir de agora”. Segundo Fernandes, o mercado [da construção] voltou a ficar aquecido e a economia continua estabilizada. “Esses indicadores são positivos para o setor no que tange à implantação de novos empreendimentos e à geração de vagas no mercado de trabalho. A tendência é de que os números do emprego formal no setor da construção civil se mantenham crescentes”. Para o presidente do Sinduscon, a confirmação de que Cuiabá é uma das cidades sedes da Copa do Mundo de 2014, vai influenciar diretamente no setor a partir do próximo ano. “Teremos inúmeros investimentos e a taxa de emprego será incrementada com as novas obras que serão lançadas”. Fernandes diz que o cenário mudou em função dos projetos retomados pela iniciativa privada e pelos programas habitacionais lançados recentemente pelo governo federal, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que deverá gerar cerca de 10 mil vagas no setor da construção civil em Mato Grosso. AGRICULTURA – Segundo setor com o pior desempenho em geração de vagas no mês de maio, a agricultura continua em compasso de espera e sem perspectivas de aumentar as vagas no campo. “Estamos vivendo um momento extremamente difícil em função do endividamento e da falta de crédito para o plantio da próxima safra. Por enquanto, não temos perspectivas de como o setor irá se comportar quando o período de plantio começar. Poderemos ter um menor número de trabalhadores na agricultura por conta deste cenário”, afirma Luiz Nery Ribas, diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja).

Edição EDIÇÃO 16967




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