ECONOMIA
Terça-feira, 20 de Abril de 2010, 20h:13
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EFEITO MORALES
Reunião vai alinhar próximos passos
MARIANNA PERES
Da Editoria
O alinhamento global dos trâmites para retomada do abastecimento de gás natural à usina térmica de Cuiabá, a UTE Mário Covas, será o tema de uma reunião que será realizada nesta quinta-feira, na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Participam do encontro agendado para o início da tarde o secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, e o diretor-presidente da Pantanal Energia, Fábio Garcia. A reunião com membros da Diretoria de Gás e Energia terá como pauta mais aspectos práticos do que técnicos em relação ao restabelecimento do gás natural à UTE, que sozinha pode suprir a demanda energética de 70% do Estado. A usina pertence à Empresa Produtora de Energia (EPE), subsidiária da Pantanal, e está há mais de dois anos sem gerar megawatts, desde que o governo boliviano deixou de cumprir contratos de compra e venda de gás com a holding. Como explica Garcia, é preciso discutir os próximos passos relativos à reativação da usina que deve se tornar cliente da estatal nacional. Apesar da sinalização positiva da Petrobras em se tornar fornecedora ao Estado, ainda é aguardado o aval do governo boliviano para selar a nova parceria, resposta aguardada há vários dias. A anuência é necessária para que um contrato Bolívia/Petrobras - que estipula entrega em ponto no território brasileiro possa ser ampliado para mais um, o gasoduto Mato Grosso-Bolívia. Vencida esta etapa, relativa à anuência dos bolivianos, é preciso traçar estratégias para fazer a usina funcionar, inclusive tratativas comerciais serão acordadas entre a Pantanal e a Petrobras. Não podemos ficar presos aos bolivianos, precisamos avançar de forma pró-ativa com a meta de restabelecer o funcionamento da usina, frisa Garcia. Como relembra o diretor da Pantanal Energia, há mais dois anos a holding aguarda por um desfecho para o restabelecimento do gás à usina. Ficamos este tempo toda à espera de entendimento. Fizemos tudo que podíamos para destravar as negociações, mas a cada passo dado ficava mais evidente a incapacidade de fornecer gás em função da estagnação dos campos petrolíferos da Bolívia. O aval do país vizinho é aguardado com otimismo pelas autoridades estaduais, já que a ideia de o gás vir por meio da Petrobras foi levada pelo presidente da estatal boliviana de hidrocarbonetos, Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Carlos Villegas, ao Ministério de Minas e Energia, em fevereiro deste ano. Se há esta inclinação positiva e se a Bolívia não perde nada em avalizar a Petrobras, não há motivos para acreditar numa resposta negativa, defende Garcia. AVALIAÇÃO Desde que conseguiu mobilizar de fato os governos estadual e federal em relação à importância que a usina tem dentro do contexto do mercado de gás, em Mato Grosso, no final do ano passado, Garcia faz uma avaliação positiva da evolução das negociações. Desde que houve nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia em 2006, sucessivas tentativas de entendimento foram buscadas sem sucesso. O tempo todo nos víamos parados na Bolívia. De dezembro para cá, quando a térmica entrou para pauta das discussões estadual e federal, obtivemos mais avanços em quatro meses do que em todo período anterior.