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ECONOMIA
Quarta-feira, 15 de Abril de 2009, 20h:06

Retomada da economia a partir do próximo mês

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho e Emprego) não assustam o economista e consultor licenciado da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vivaldo Lopes. Segundo ele, as contratações devem ser retomadas a partir de maio com o aumento do ritmo da atividade econômica. Lopes admite que o grande número de demissões em Mato Grosso é reflexo da crise financeira mundial, que impôs cautela aos empresários. “Muitos empresários cancelaram seus investimentos, outros demitiram empregados contratados temporariamente. A indústria frigorífica também passa por um momento delicado, mas acredito que a situação logo irá se ajustar e o ritmo das contratações será retomado”. Na avaliação de Vivaldo Lopes, parte dos desligamentos ocorreu em função da paralisação dos frigoríficos e da sazonalidade em alguns setores, como construção civil, que reduz seu quadro de trabalhadores devido ao período de chuvas. “Com o início da estação seca e a movimentação da safra, a economia irá passar por um processo de reaquecimento, gerando novas vagas”. De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Mário Candia, já são mais de 5 mil demitidos da indústria frigorífica em Mato Grosso até o mês passado. Apesar da retração dos investimentos e do grande número de demissões pelas empresas, ele acredita que Mato Grosso ainda não vive o processo recessivo. “Não há nada que cause grande preocupação, pois se considerarmos o cenário de crise, o panorama ainda é favorável para Mato Grosso. Nosso Estado está sentindo por último o impacto da crise”. Na avaliação de Vivaldo Lopes, há indícios de que o país caminha para recessão, porém em Mato Grosso, a situação está sob controle. “No Brasil, o que puxa a queda da economia são a mineração e indústria, setores que não têm peso no Estado, onde 72,4% da economia dependem do agronegócio”. Para o economista, o setor varejista não deveria estar em pânico. “Segurar investimentos, na minha visão, é mais uma medida de prudência por parte dos empresários do que um sinal concreto de queda da atividade econômica”. Na avaliação do economista e professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso, Manuel Martha, a suspensão dos investimentos pode não significar retração econômica, mas uma diminuição no ritmo de expansão. “O grande problema que temos é a falta de crédito. Por isso estamos prevendo investimento em menor ritmo, mas não a queda da atividade econômica”. Segundo ele, com a situação de crise a expectativa dos empresários é frear a economia. “Os empresários estão com as barbas de molho e não têm clareza do que irá acontecer amanhã, daí vem a cautela”. Martha também não vê indícios de recessão e aposta que o ritmo da atividade será menor, mas a economia continuará crescendo em 2009. “Acredito que a situação começará a se ajustar a partir do segundo semestre”, diz o economista. (MM)

Edição EDIÇÃO 16967




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