ECONOMIA
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007, 22h:01
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EFEITO MORALES
Representante do MME embarca para Bolívia
Brasileiros e bolivianos voltam a discutir contrato da térmica de Cuiabá. MME acompanha
MARIANNA PERES
Da Editoria
O secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia (MME), Ronaldo Shuck, viajou ontem para Bolívia para participar de mais uma rodada de negociações entre representantes da Empresa Produtora de Energia (EPE) operadora da térmica de Cuiabá e do governo daquele país. Em princípio, o encontro estaria marcado para hoje, mas poderá ser adiado na última hora pelas autoridades locais. Schuck foi acompanhado por mais dois assessores. O diretor de Assuntos Regulatórios da EPE, Fábio Garcia, deverá participar da reunião desta tarde, mas também não deu certeza sobre a data exata da reunião. A térmica está fora do sistema elétrico há cinco dias e, mesmo sem previsão de retomar a geração, o MME explica que a possibilidade de operar por meio de óleo diesel já que a usina é bicombustível não está em discussão porque é considerada a última opção. A geração térmica chega a custar até 10 vezes mais se comparada aos custos com o gás natural. Garcia admite que a mudança da matriz energética não está sinalizada até momento. Para operar, Garcia explica que é necessário que haja estoques nos dutos com pressão operacional habitual de cerca de 1,1 psi (medida de pressão). Recém-chegado de uma viagem, o executivo não soube informar qual era a pressão atual. A assessoria do MME observa que o Ministério tem acompanhado de perto as negociações, mesmo sendo um entendimento privado. As idas e vindas da Bolívia têm sido inúmeras, disse a assessoria. Em pauta, permanece a atualização do contrato de compra e venda de gás natural à EPE, que prevê fornecimento firme até 2019 de 2,2 milhões de metros cúbicos (m³). O impasse se arrasta há meses porque a empresa aceita apenas discutir o reajuste sobre o preço do gás e as informações são de que o governo boliviano quer reduzir volumes e incluir uma cláusula que isente a estatal daquele país de punições no caso de não cumprimento dos despachos previsto em contrato. O reajuste de US$ 1,19 milhão de BTU para US$ 4,20 (+253%) já está acordado desde fevereiro passado entre os presidentes Lula e Evo Morales e já deveria estar em vigor desde 15 de maio, segundo o Ministério de Hidrocarbonetos. Garcia disse ontem que a planta permanece desativada por falta de matéria-prima suficiente para gerar a potência mínima de 135 megaWatts (mW)e que não tem previsão de retorno. Desde a última sexta-feira, os despachos mantêm volume de 600 mil/m³/dia. Esta é a segunda vez que a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) reduz quantidade à usina. Primeiro passou de 2,2 milhões para 1,1 milhão/dia e na semana passada alterou o volume para 600 mil/m³/dia, ou seja, a Bolívia cumpre apenas 25% do volume total. REPERCUSSÃO Garcia não quis comentar ontem as afirmações de uma fonte boliviana ao jornal local La Razón, que disse que o mercado mato-grossense não é prioridade para a Bolívia. Por meio deste entendimento e com o anúncio de problemas técnicos na estação de compressão de Rio Grande, na Bolívia, a estatal estaria suprimindo o volume a Mato Grosso em benefício do mercado interno, à Petrobras e à Argentina, este último considerado mais rentável e com previsão de expansão. Não vamos falar sobre o assunto, qualquer coisa que disser será prematura, justificou.